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Do Valor: Reitores querem mais ICMS para elevar orçamento das universidades paulistas

Por Luciano Máximo | De São Paulo, para o Valor Econômico

Diante da atual crise financeira e pressão da comunidade acadêmica por melhores salários e mais transparência, os reitores das três universidades estaduais paulistas decidiram pedir mais recursos para composição orçamentária ao governo do Estado e até à União. Há dez dias, USP, Unesp e Unicamp enfrentam greve parcial de professores, funcionários e alunos, revoltados com a decisão de congelamento dos reajustes salariais deste ano – as três instituições comprometem hoje com folha de pessoal entre 95% e 105% do total de seus orçamentos, que somam cerca de R$ 9 bilhões em 2014.

A reitora em exercício da Unesp e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp), Marilza Vieira Cunha Rudge, conta que nos próximos dias vai negociar com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o secretário estadual da Fazenda, Andrea Calabi, o aumento da vinculação da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) destinada às universidades.

Há 25 anos, lei estadual determina que os orçamentos de USP, Unesp e Unicamp sejam compostos por um percentual da arrecadação líquida do principal tributo paulista. Em 1989, ano que marcou o início da autonomia universitária no Estado, o Tesouro destinava 8,4% da receita de ICMS. O percentual foi elevado em 1993 para 9% e desde 1995 está fixado em 9,57% – 5,02% para a USP, 2,34% (Unesp) e 2,19% (Unicamp).

A estratégia dos reitores é convencer o governo a considerar os juros e multas que envolvem a arrecadação do ICMS e não apenas o recolhimento líquido do tributo, o que representaria um respiro de cerca de R$ 360 milhões para as três universidades. “Ao invés de ser considerado o ICMS líquido, passaríamos a ter o produto total do ICMS, um grande auxílio”, diz Marilza. O reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, diz que a medida é adequada para fazer frente à forte expansão vivida pelas instituições nos últimos anos. “O número de vagas geradas na graduação e pós-graduação, por exemplo, é bastante superior ao crescimento do ICMS. Se pegarmos a Unicamp, certamente as vagas foram multiplicados por um fator três desde 1989; em termos reais, o ICMS não triplicou”, avalia Tadeu Jorge.

O argumento de professores, alunos e funcionários das três universidades é parecida com a do reitor da Unicamp. Só que eles querem uma vinculação ainda maior do ICMS para o ensino superior paulista: dos atuais 9,57% para 11,60%. Considerando a arrecadação do imposto em 2013, a diferença seria de R$ 2,2 bilhões a mais nos caixas das universidades.

“Na USP, entre 1989 e 2012, a matrícula da graduação cresceu 83%, na pós-graduação, 121%. Os docentes em atividade subiram apenas 4% e o número de funcionários decresceu 5%. É preciso repor quadros, mas como fazer isso com um orçamento em situação insustentável?”, questiona o especialista em financiamento educacional Marcelino Rezende Pinto, professor da USP Ribeirão Preto.

Em nota, a Secretaria da Fazenda de São Paulo informou que “não recebeu qualquer proposta formal das universidades a respeito de possível alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no que diz respeito aos repasses de ICMS”. Segundo a pasta, “os repasses de ICMS registraram crescimento real expressivo de 32% no período de 2007 a 2013. Mesmo com a expansão das universidades, a proporção de repasse por aluno cresceu 18% reais de 2007 a 2013. A relação de repasse por servidor cresceu 19% em termos reais.”

Já a demanda dos reitores a ser negociada com o governo federal refere-se à negociação por um subsídio no valor de R$ 2 mil por aluno a título de financiamento de permanência dos estudantes, principalmente os beneficiados com a política nacional de cotas.

porFernanda de Freitas

Rampa do HC apresenta problemas

No dia 25 de março, a reportagem da Band Campinas divulgou que a rampa do HC apresenta problemas, poucos meses após a conclusão da sua instalação.

O problema também já foi detectado pelo STU e pela Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) local que estão cobrando resolução urgente visto a gravidade da situação, já que diariamente circulam por ali centenas pessoas que podem sofrer algum acidente.

Confira abaixo a reportagem sobre o assunto:

HC paga R$ 84 mil e piso dura só 6 meses

Do Metro Campinas
band_campinas_rampa_HCSeis meses após a empresa vencedora da licitação finalizar a instalação do piso emborrachado na entrada principal do HC da Unicamp, o hospital teve de contratar uma nova empresa por meio de um novo pregão porque o calçamento criou bolha e descolou quase que completamente na área de 300 m2 em que foi colocado.

Segundo a instituição, o problema teve início logo que as obras começaram em junho do ano passado. O prazo estimado era que a instalação fosse concluída em 15 dias. No entanto, o fim das obras só se deu em setembro. “Nesse período, a nossa equipe de engenharia já havia constatado que o piso não estava de acordo. Eles chegaram a refazer o serviço”, informou a assessoria de imprensa do hospital.

Diante disso, o valor cobrado pela obra – R$ 84 mil – foi depositado em juízo e a ação está sendo acompanhada pela procuradoria da Unicamp.

A equipe de reportagem do Metro esteve no local na semana passada e constatou que em quase toda a extensão existem falhas na borracha, que está se soltando. O próprio contra-piso esfarelou, situação que é um risco para os pacientes, principalmente para cadeirantes. Até mesmo a linha-guia para deficientes visuais está comprometida. Em alguns trechos, o solado descolou.

Passam por dia no Hospital das Clínicas da Unicamp cerca de 5 mil pessoas, sendo que a maior parte delas – cerca de 80% – utiliza a entrada principal, onde ocorreu o descolamento do piso. Na última quinta-feira, o HC iniciou a remoção da borracha. A previsão é de que no início da abril uma nova empresa, que venceu o segundo processo licitatório, inicie a colocação do novo piso. Desta vez, o hospital decidiu abolir o uso da borracha. Na mesma área, deverá ser instalado granito antiderrapante.

Não foi informado à reportagem o nome da empresa que realizou o serviço mal feito. Por isso, o Metro não conseguiu contato para saber a justificativa dos mesmos para a deterioração do material.

 

 Piso da entrada principal do HC (rampa)

 

Fonte: Do Metro Campinas (http://www.band.uol.com.br/tv/campinas/default.asp)

Fotos: Fernanda de Freitas

porFernanda de Freitas

Quarta-feira (26) tem ato Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais: Lutar não é Crime!

O STU integra o Comitê Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais e da Pobreza e assina o manifesto em defesa das organizações e ativistas que estão sendo atacados e perseguidos com requintes de Ditadura Militar, pelos governos federal e estaduais de São Paulo e do Rio de Janeiro.

O órgão foi lançado anteontem (18) e contou com a presença dos movimentos de mulheres, de juventude, de negros; sindicatos; parlamentares, entre outros. Já são 26 organizações de Campinas e Região, que apoiam a luta contra os ataques dos governos a serviço da Copa do Mundo.

Sabemos que a Copa do Mundo, que será realizada no Brasil, é da FIFA e não dos trabalhadores. E os políticos brasileiros farão de tudo para garantir os lucros da entidade, por isso, aumentam a coerção criminalizando as manifestações.

Em Campinas, o prefeito Jonas Donizete (PSB) tem se reunido com as Forças Armadas e se prepara para reprimir as manifestações durante a Copa da FIFA na cidade, instaurando uma política repressora. Tanto que a Câmara dos Vereadores de Campinas quer condenar os ativistas que ocuparam a Casa do Povo numa luta legitima contra o aumento da passagem e o repasse de verba para os empresários dos transportes.

Diante desta ofensiva, o Comitê Contra Criminalização dos Movimentos Sociais e da Pobreza está convocando um ato na próxima quarta-feira (26), às 17h, no Largo do Rosário, para lutar contra o aumento da repressão policial nas manifestações, que tendem a crescer com os jogos da Copa.

É fundamental que os movimentos sociais campineiros somem força nessa luta que ataca o livre direito de se manifestar dos cidadãos e pelo arquivamento dos processos que criminalizam os ativistas! Também defendemos a desmilitarização da PM, que tem vitimado os jovens negros da periferia.

Confira abaixo a íntegra do MANIFESTO CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS E DA POBREZA:

 

[gviewer file=”https://stu.org.br/wp-content/uploads/2014/02/manifesto_comite_contra_criminalizacao_dos_movimentos_sociais.pdf” language=”pt_BR”]

Fonte: Comitê Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais e da Pobreza

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G1 repercute participação de servidores, estudantes, STU e DCE-Unicamp em ato contra a Copa

g1atocontracopa25012014(Por Anaísa Catucci, do G1 Campinas e Região) Um grupo formado com ao menos cem pessoas, entre estudantes e funcionários da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), se reuniram na tarde deste sábado (25) para ir até São Paulo e participar de um ato contra a realização da Copa do Mundo. A proposta dos participantes é integrar a manifestação marcada para às 17h, na capital.

O tema motivou outras mobilizações em Goiânia (GO) e em Porto Alegre (RS). Um grupo chegou a ficar acampado no vão livre do Masp durante a madrugada faixas com os dizeres: “Se não tiver direitos, não vai ter Copa”; “Se não tiver transporte, a Copa vai ter que parar”; “Fifa go home” (Fifa vá para casa).

Segundo a coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Diana Nascimento, a ideia partiu de uma indignação conta o alto investimento destinado para a Copa. “É primeira grande manifestação deste ano para reivindicar os direitos das pessoas principalmente em relação para melhorias na educação, transporte e moradia”, afirma. O grupo informou ao G1 que o movimento é pacífico e a comitiva foi organizada pelo diretório e pelo Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU).

A universitária de Ciências Sociais Carolina Filho, integrante do DCE e do coletivo Domínio Público, afirma que há uma supervalorização do megaevento em relação aos direitos sociais. “Passamos por diversos problemas que não são resolvidos pelos governos como a precariedade do transporte público que tiveram várias mobilizações no ano passado”, disse.

A funcionária da Unicamp Mariana Conti Takahashi, que também se preparava para o embarque, também disse que é uma forma de protestar até mesmo pelos gastos extras das cidades subsede, como Campinas que irá receber as seleções de Nigéria e Portugal para treinos antes dos jogos. “A Prefeitura já se colocou a disposição para investimentos para ajustes para a Copa e em Campinas existe uma série de prioridades, como construção de posto de saúde, que são deixados de lado e sem solução para receber essas seleções”, explica.

Acesse o texto no site de origem: Grupo de Campinas se encontra na Unicamp e segue para protesto em SP

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Exigimos justiça aos mortos na chacina em Campinas!

chacina-ato13012014Amigos e familiares das vítimas da chacina ocorrida no último dia 13 na região de Ouro Verde, Campinas, organizam um ato para pedir justiça. O STU esteve presente no protesto, realizado no dia 16 de janeiro, no entorno do Terminal Ouro Verde. Moradores do Jardim Vida Nova I, bairro onde diversos jovens foram assassinados no último período, seguiram em passeata pela avenida Ruy Rodrigues até a altura do shopping Spazio.

No caso da chacina do dia 13, a principal suspeita é de que as vítimas tenham sido assassinadas por policiais militares. Testemunhas afirmam ter visto homens com as roupas do Batalhão de Ações Especiais da Polícia (Baep) durante a madrugada em que ocorreram as mortes.

A Secretaria de Segurança Pública anunciou a abertura de procedimento investigativo e 31 policiais serão ouvidos.

A liderança do PSOL na Câmara dos Deputados protocolou pedidos no Ministério da Justiça e na Secretaria de Direitos Humanos (SDH) para que a secretaria e a Polícia Federal apurem o caso, bem como a Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo. O portal G1 noticiou no último dia 17 que a Procuradoria paulista informou que aguarda a conclusão do inquérito policial instaurado para, então, dar continuidade às investigações e teria designado um promotor para acompanhar o caso.

 

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Ato em 25/1: Se não tiver direitos, não vai ter Copa!

atocopa25012014Neste sábado (25 de janeiro), aniversário da cidade de São Paulo, ocorre o primeiro grande ato do ano contra a Copa 2014. Os movimentos sociais irão às ruas para denunciar a inversão de prioridades de investimentos do governo e as violações dos direitos humanos. A concentração será em frente ao MASP às 17h, na av. Paulista, nº 1578.

O DCE da Unicamp disponibilizará um ônibus que sairá de Campinas às 14h. Para os interessados, basta preencher o formulário no site.

Somando-se às mobilizações, a FASUBRA inicia dia 22 de janeiro a campanha salarial de 2014, com atos em todo o país. Continuam também as reivindicações pelo cumprimento do acordo da greve de 2012, aprimoramento na carreira com ascensão funcional, turnos contínuos e redução da jornada.

 

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Ato contra a privatização da saúde dia 6/4

Rodrigo Cruz

O Fórum Popular de Saúde em Campinas realiza no próximo dia 06 (sábado) um ato contra a privatização da saúde no município. A concentração terá início às 9 horas, em frente à Catedral. A data remete ao Dia Mundial da Saúde, comemorado em 07 de abril.

Em Campinas, diante do caos no Sistema Único de Saúde (SUS) após a demissão dos funcionários contratados por meio de um convênio com o hospital Cândido Ferreira, a prefeitura de Jonas Donizette (PSB) defende a criação de uma fundação de direito privado para contratar profissionais para o setor.

Em entrevista ao jornal “Correio Popular” no último dia 23 de março, o secretário de saúde Cármino de Souza disse que a Prefeitura passa por dificuldades para contratar funcionários para trabalhar no SUS porque a administração não pode ultrapassar o limite de 54% do orçamento municipal com a folha de pagamento. De acordo com o secretário, a saída para o problema seria a implantação de uma fundação capaz de dar “mais autonomia para a contratação de profissionais e aplicação de recursos públicos”.

Por isso, mais do que nunca, toda a sociedade campineira precisa se mobilizar em defesa da saúde como um direito de todos e dever do Estado, pelo fim das terceirizações e privatizações de qualquer espécie.

O STU convida os trabalhadores da Unicamp a participarem do ato, onde também será pautada a luta contra a autarquização da área de saúde da Universidade – que também significa entregar o HC a uma fundação privada.

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TRF mantém decisão favorável ao assentamento Milton Santos

Foto: Facebook Assentamento Milton Santos

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região manteve a decisão favorável ao assentamento Milton Santos, que reconhece a área como um assentamento da Reforma Agrária e suspende a reintegração de posse. A decisão divulgada na última sexta-feira (22/3), agora vai para julgamento definitivo por Turma. Ainda não há data marcada para este julgamento.

De acordo com informações divulgadas no site do MST, a situação jurídica do Milton Santos mudou positivamente após a suspensão da reintegração de posse. Os advogados do movimento acreditam que uma alternativa para resolver o imbróglio jurídico do assentamento além da desapropriação por interesse social, medida que o governo evita a todo custo tomar, seria converter a posse em perdas e danos, indenizando o proprietário com dinheiro.

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Governo Dilma prepara nova privatização das telecomunicações: o que restou de FHC

FONTE: Campanha Banda Larga é um Direito Seu!

FOTO: Agência Brasil

A história nos prega peças. O Ministro das Comunicações do Governo Dilma, ligado ao Partido dos Trabalhadores, cogita a possibilidade de doar bilhões em bens considerados públicos às teles em troca de investimentos em redes de fibra óptica das próprias empresas. A infraestrutura essencial para os serviços de telecomunicações, minimamente preservada na privatização de FHC, será entregue às mesmas operadoras para que estas façam aquilo que deveria ser obrigação da prestação do serviço.

Quando o Sistema Telebrás foi vendido em 1998, a telefonia fixa passou a ser prestada por concessionárias. Essas empresas receberam da estatal toda a infraestrutura necessária à operação do serviço, a qual foi comprada por alguns bilhões de reais. Definiu-se um prazo para as concessões e os bens a ela relacionados foram regulados como reversíveis, isto é, devem voltar à União ao final dos contratos de concessão para nova licitação. São bens submetidos ao interesse público, que retornam à posse do Poder Público para que, terminada a concessão, a União defina com quem e como deve se dar continuidade à prestação, já que é ela a responsável pelo serviço de acordo com a Constituição Federal.

Esse modelo de concessão foi adotado em razão de uma escolha crucial do Governo FHC, a aplicação de regime jurídico ao serviço de telefonia fixa condizente com sua essencialidade – o regime público. Ele permite ao Estado exigir metas de universalização e modicidade tarifária das empresas concessionárias, além de regular as redes do serviço como reversíveis.

Antes da privatização, de 1995 a 1998, foram investidos bilhões de recursos públicos para preparar as empresas para os leilões. A planta da telefonia fixa quase dobrou. Posteriormente à venda, as redes reversíveis se desenvolveram para cumprir metas de universalização previstas nos contratos de concessão a serem concluídas até 2005. A ampliação da cobertura foi viabilizada pela tarifa da assinatura básica, reajustada durante muitos anos acima da inflação e até hoje com valor injustificadamente elevado.

Além desse incremento dos bens da concessão, a infraestrutura da telefonia fixa se tornou suporte fundamental para a oferta de acesso à banda larga no país. Mesmo as redes que eventualmente não tenham relação direta com o telefone, apresentam ligação financeira com ele. Afinal, também durante anos, e ainda hoje, houve subsídio cruzado ilegal da concessão às redes privadas de acesso à Internet. A telefonia que deveria ter tarifas menores passou a se constituir na garantidora da expansão da banda larga conforme critérios de mercado e de interesse econômico das operadoras.

Assim, a medida cogitada pelo Ministro Paulo Bernardo aponta ao menos dois graves problemas. Primeiro, ela significa a transferência definitiva ao patrimônio das teles de bilhões em bens que constitucional e legalmente deveriam retornar à União, pedindo em troca que essas empresas invistam em si mesmas, ou seja, em redes que serão para sempre delas. Segundo, a doação bilionária envolveria grande parte da espinha dorsal das redes de banda larga no país, enfraquecendo ainda mais o Estado na condução de políticas digitais. Como se não bastasse, essa medida significaria o suspiro final do regime público nas telecomunicações, com a prestação da telefonia fixa passando exclusivamente ao regime privado.

Diante do desafio de especificar quanto das redes atuais de telecomunicações são ligadas à telefonia fixa ou resultado de suas tarifas, o arranjo em avaliação sem dúvida simplifica o processo em favor das operadoras. Não só isso, minimiza as vergonhosas consequências de até agora já ter sido vendido um número considerável de bens reversíveis sem autorização ou conhecimento da Anatel, que deveria tê-los controlado desde as licitações, mas não o fez efetivamente.

Se aprovada tal proposta, o nosso saldo será a privatização do que resta de público nas telecomunicações e o profundo desprezo pelo caráter estratégico da infraestrutura de um serviço essencial como a banda larga. Estaremos diante do desrespeito violento à determinação constitucional de que a União é a responsável pelos serviços de telecomunicações, na medida em que perderá o direito de interferir na gestão de redes que passarão a ser exclusivamente privadas.

A justificativa ensaiada para essa operação é a de que, por um lado, os bens da concessão estão se desvalorizando e, por outro, de que é preciso disseminar fibra óptica pelo país e não há como obrigar as empresas a investirem onde não existe interesse econômico. Porém, o que o Governo quer é encontrar novo subterfúgio para não enfrentar sua falha central nesse campo: o não reconhecimento da banda larga como serviço essencial.

A necessária tarefa de levar banda larga e redes de fibra óptica a todo o Brasil poderia ser realizada sem a transferência de bens de interesse público à iniciativa privada se o Governo garantisse a prestação da banda larga também em regime público. Como visto, esse regime confere ao Estado maiores prerrogativas para exigir o cumprimento de obrigações por parte das empresas. Paralelamente, o modelo regulatório atualmente desenhado prevê mecanismos públicos de subsídio para parte dos investimentos impostos.

O principal deles é o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST), com recursos constantemente contingenciados pelo Governo Federal. De acordo com a lei que o instituiu, o FUST só pode ser utilizado para o cumprimento de metas de universalização, obrigação que se refere apenas a serviços prestados em regime público. Nesse caso, o financiamento público para a ampliação das redes das operadoras se justifica pelos seguintes motivos: (i) o dinheiro se destina somente à parte dos investimentos que não pode ser recuperada com a exploração do serviço; (ii) os valores das tarifas são controlados para que o serviço seja acessível à população, contemplando-se também acessos gratuitos; e (iii) a rede construída não é patrimônio definitivo das operadora, pois sua posse volta à União ao final da concessão. Com tais garantias, outros subsídios poderiam ser estudados e aplicados sem significar favorecimento das teles.

Entretanto, o Governo mantém a prestação da banda larga exclusivamente em regime privado, criando alternativas ilegais e bastante complicadas para lidar com a demanda de ampliar as conexões à Internet no país e, ao mesmo tempo, evitar o enfrentamento com os poderosos interesses privados. Ao invés de submeter as grandes empresas do setor às obrigações do regime público, opta pela frouxa negociação da oferta de planos de banda larga popular, por empréstimos pouco transparentes do BNDES, pela desoneração de tributos na ordem de 6 bilhões de reais para a construção de redes privadas, pela defesa da utilização do FUST também em regime privado e, agora, considera admissível a doação às teles dos bens que restaram da privatização para que elas invistam em redes próprias, não reversíveis.

Nunca antes na história desse país se tratou com tamanha leviandade serviços essenciais e redes estratégicas!

Conheça o manifesto da Campanha Banda Larga é um Direito Seu!

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porFernanda de Freitas

Debate na Câmara discute discriminação racial na cidade

Na próxima quinta-feira (21/03), às 19h, acontece o “Debate Aberto sobre o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial”, no plenarinho da Câmara de Vereadores (Av.Eng.Roberto Mange, 66, Ponte Preta).

O debate foi motivado pela determinação da PM de abordagem especialmente de jovens “negros e pardos” após um episódio de roubo na cidade, considerada racista, e faz parte de um conjunto de ações do Fórum Campinas Contra o Racismo.

O evento também marca o Dia do Massacre de Sharperville, na África do Sul em 1960. Na ocasião a polícia abriu fogo contra um grupo de manifestantes desarmados, matando 69 e ferindo 180. A data é considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional contra a Discriminação Racial.

O STU é contra a discriminação racial e compõe o Fórum que organiza o debate.

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Movimentos sociais rechaçam PIMESP em audiência na Assembleia Legislativa

O diretor do STU Toninho fala durante a audiência. (Crédito: Daniel Garcia)

O diretor do STU Toninho fala durante a audiência. (Crédito: Daniel Garcia)

Por Luciana Araújo

 

O STU esteve representado na noite desta quarta-feira (14) na audiência pública realizada pela Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa para debate a implantação do “Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista” (Pimesp). O evento atendeu ao primeiro compromisso firmado por deputados de oposição ao governo Alckmin durante plenária realizada no dia 5 de fevereiro na Câmara Municipal de São Paulo, por iniciativa da Frente Estadual Pró-Cotas. A audiência foi presidida pela deputada estadual Leci Brandão (PCdoB), e contou com a presença do coordenador da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) e ex-reitor da Unicamp, Carlos Vogt; do reitor da Unesp, Júlio César Durigan; e da pró-reitora de graduação da USP, Telma Zorn. A Unicamp foi representada pelo pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, João Frederico da Costa Azevedo Meyer, já que o reitor Fernando Costa não apareceu – embora todos os reitores tivesse assumido junto à liderança do governo na Alesp o compromisso de participar do evento, segundo anunciou a deputada Leci Brandão. O interesse que o assunto desperta se evidenciou na necessidade de transferir o evento para o plenário Juscelino Kubitschek – o maior da Casa, onde acontecem as sessões solenes.

O PIMESP foi anunciado em dezembro do ano passado como um plano de autoria do governo estadual desenvolvido por comissão composta no âmbito no Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Foi elaborado sob a justificativa de aumentar os níveis de ingresso de alunos oriundos de escolas públicas e, dentre estes, negros e indígenas nas universidades públicas do Estado. No entanto, por estabelecer a exigência de que o público alvo do programa seja obrigado a passar dois anos num curso de nivelamento entre a educação de nível médio e as instituições de ensino superior, parte dele à distância, o PIMESP vem sendo rejeitado por entidades do movimento negro, juristas, parlamentares e entidades representativas das comunidades universitárias.

Subfinanciamento

Plenário lotado acompanha debate sobre cotas nas universidades. (Crédito: Leon Cunha)

Plenário lotado acompanha debate sobre cotas nas universidades. (Crédito: Leon Cunha)

Coube a Carlos Vogt o papel de apresentar o PIMESP. Ele destacou o fundo que o governo pretende criar para financiar o programa. Segundo ele, o governador teria acordo em gastar R$ 94,679 milhões em sete anos e, a partir daí, os valores empregados no PIMESP “permanecerão constantes”, de acordo com documento distribuído pelo coordenado da Univesp durante a audiência. O anúncio levou Vogt a encerrar sua fala ao som da palavra de ordem “Se cuida seu racista, a universidade vai ficar cheia de cotistas”. A indignação veio do fato de que, hoje, os orçamentos das três universidades somam cerca de R$ 9,5 bilhões. Ou seja, em sete anos, o governo estadual pretenderia investir menos de 10% do que é repassado às instituições por meio de um modelo de financiamento cuja alíquota está congelada há mais de 20 anos.

Diante da indignação, o reitor da Unesp anunciou que a proposta ainda está em discussão nas universidades e que será implementada se for aprovada nos conselhos universitários. Em resposta, os participantes no plenário gritaram “ô reitor, que papelão, esse Pimesp é falsa inclusão”. Logo em seguida a pró-reitora de graduação da USP reforçou a tese do Cruesp de que os 60 dias conferidos às instituições para que “analisem” a minuta do PIMESP nas congregações seria debate suficiente. Durante sua fala, Telma Zorn traiu-se ao falar da importância das políticas de inclusão que as universidades paulistas já desenvolvem e afirma que “alunos de escolas públicas ligam nas nossas unidades perguntando quanto custa a mensalidade” na USP. Em meio a gargalhadas do plenário diante da confissão institucional do distanciamento da maior universidade do país e a população pobre do Estado, Telma ainda afirmou que “a USP tem, de fato, um excelente programa de permanência, que custa milhões à sociedade paulista”. Hoje, de acordo com os dados divulgados pelo governo, a USP tem apenas 28% de alunos que vieram de escolas públicas. Na Unicamp, o percentual é de 32% apenas. A Unesp tem 40%, como resultado de sua maior capilarização do Estado.

O representante da Unicamp também foi muito vaiado ao anunciar que a base da política de permanência da instituição está ancorada numa bolsa permanência em torno de R$ 324,00. O representante do DCE da USP chegou a questionar José Frederico se um filho do pró-reitor sobreviveria com o valor da bolsa paga aos ingressantes do Profis (Programa de Formação Interdisciplinar Superior) – modelo do PIMESP.

Elitismo, racismo e inconstitucionalidade

Ao longo da audiência os representantes do Cruesp e do governo Alckmin ouviram críticas pesadas ao PIMESP, dos movimentos sociais e dos parlamentares.

O professor de Filosofia do Direito e presidente do Instituto Luiz Gama, Silvio de Almeida, afirmou que o projeto tem problemas políticos, técnicos e jurídicos. Isso porque não está sendo discutido com a sociedade, não foram apresentados critérios objetivos para o modelo de ingresso proposto e todos os dados apresentados carecem de fontes, além de estabelecer uma discriminação negativa proibida pela Constituição Federal. O fato das universidades reivindicarem a autonomia universitária para não debater o projeto também foi criticada por Silvio. “Foi o governador que anunciou o projeto, mas quando a sociedade quer discutir, fere a autonomia universitária. Isso é desconhecer o Direito Constitucional”.

O representante da Uneafro (rede de cursos pré-vestibulares voltada para alunos afrodescendentes e filhos da classe trabalhadora), Douglas Belchior, apresentou uma retrospectiva da luta pelas cotas no Estado. E lembrou que, em cinco anos de funcionamento de seu programa de inclusão, a USP matriculou apenas 87 negros nos cursos considerados de ponta (Direito, Medicina e Engenharias). E cobrou aos representantes das universidades: “Até quando vocês vão ficar surdos e cegos para o que vem da sociedade, que, aliás, é quem paga o salário de vocês?”.

O diretor da União Estadual dos Estudantes, Alexandre Cherno, também rebateu o argumento defendido pelos reitores paulistas de que as cotas raciais poderiam levar à queda na qualidade dos cursos. “Os cotistas têm maiores índices de aprovação em universidades que já têm cotas. Por que em São Paulo eles têm que passar por duas seleções?”, indagou, lembrando que o PIMESP prevê que o aluno sai do ensino médio, é submetido a um processo seletivo para ingressar num curso de qualificação de dois anos, parte à distância, para só então ser submetido novamente a uma seleção para ingresso efetivo nas universidades.

O diretor do STU Antônio Alves Neto (o Toninho) aproveitou sua fala para lembrar que a reitoria Vogt esteve entre as piores da história da Unicamp e afirmou que ao propor a exigência de um curso intermediário entre a formação básica e a universidade para os alunos da escola pública, que não é exigida a todos os ingressantes no ensino superior, “o governo do Estado admite o total fracasso da educação pública em São Paulo, que o estudante da escola pública não tem que estar na universidade na visão da elite paulista”. Toninho ressaltou ainda “a gente tem uma tarefa árdua, mais do que debater aqui na Assembleia Legislativa, que é debater com a população nas ruas e e fazer com que essa população ocupe o seu espaço dentro da universidade pública”.

Para o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL), o PIMESP é “racista, elitista e antidemocrático”. O também deputado Adriano Diogo (PT) afirmou que a proposta foi desenhada por fora do procedimento legislativo porque “não pode ser na forma da lei, porque preserva a autonomia universitária para manter a escravidão”.

Os deputados Alencar Santana, Telma de Souza, Luiz Cláudio Marcolino e Marco Aurélio (todos do PT) também participaram da atividade.

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Artigo: Dilma vai acabar com o SUS?

Dilma vai acabar com o SUS?

Por Lígia Bahia, Luis Eugenio Portela, Mário Scheffer

Publicado originalmente na Folha em 05/03/2013 em Tendências/debates

O desmonte final do Sistema Único de Saúde (SUS) vem sendo negociado a portas fechadas, em encontros da presidente Dilma Rousseff com donos de planos de saúde, entre eles financiadores da campanha presidencial de 2010 e sócios do capital estrangeiro, que acaba de atracar faminto nesse mercado nacional.

Na pauta, a chave da porta de um negócio bilionário, que são os planos de saúde baratos no preço e medíocres na cobertura, sob encomenda para estratos de trabalhadores em ascensão.

Adiantado pela Folha, o pacote de medidas que prevê redução de impostos e subsídios para expandir a assistência médica suplementar é um golpe contra o SUS ainda mais ardiloso que a decisão do governo de negar o comprometimento de pelo menos 10% do Orçamento da União para a saúde.

A proposta é uma extorsão. Cidadãos e empregadores, além de contribuir com impostos, serão convocados a pagar novamente por um serviço ruim, que julgam melhor que o oferecido pela rede pública, a que todos têm direito. Em nome da limitada capacidade do SUS, o que se propõe é transferir recursos públicos para fundos de investimentos privados.

O SUS é uma reforma incompleta, pois o gasto público com saúde é insuficiente para um sistema de cobertura universal e atendimento integral. Isso resulta em carência de profissionais, baixa resolutividade da rede básica de serviços e péssimo atendimento à população.

Nos delírios de marqueteiros e empresários alçados pelo governo à condição de formuladores de políticas, o plano de saúde surgiria como “miragem” para a nova classe média, renderia a “marca” da gestão e muitos votos em 2014.

Pois o mercado que se quer expandir com empurrão do erário não é exatamente um oásis no meio do SUS. Autorizados pela agência reguladora, proliferam planos de saúde pobres para pobres, substitutivos “meia-boca” do que deveria ser coberto pelo regime universal.

Na vida real, são prazos de atendimento não cumpridos, poucos especialistas por causa de honorários ridículos, número insuficiente de serviços diagnósticos e de leitos, inclusive de UTI, negativas de tratamentos de câncer, de doenças cardíacas e transtornos mentais, redes reduzidas que impedem o direito de escolha e geram longas filas e imposição de barreiras de acesso, como triagens e autorizações prévias.

Quem tem plano de saúde conhece bem esse calvário.

Limitados pelos contratos, dirigidos a jovens e sadios formalmente empregados, os planos de saúde não aliviam nem desoneram o SUS, pois fogem da atenção mais cara e qualificada. Não são adequados para assistir idosos e doentes crônicos, cada vez mais numerosos. Assim, os serviços públicos funcionam como retaguarda, uma espécie de resseguro da assistência suplementar excludente.

Nos Estados Unidos, a reforma de Obama enquadra os planos privados e tenta colocar nos trilhos o sistema mais caro e desigual do mundo. País de recursos escassos, se delegar o futuro a quem visa o lucro com a doença, o Brasil seguirá é o caminho da Colômbia, que vive um colapso na saúde.

É inaceitável, em uma sociedade democrática, a intenção do governo de abdicar da consolidação do SUS, de insistir no subfinanciamento público e apostar no avanço de um modelo privado, estratificado, caro e ineficiente.

O Movimento Sanitário, o Conselho Nacional de Saúde, o Congresso Nacional, o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal precisam se manifestar sobre esse despropósito inconstitucional.

LIGIA BAHIA, 57, é professora do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro; LUIS EUGENIO PORTELA, 49, é professor da Universidade Federal da Bahia e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco); e MÁRIO SCHEFFER, 46, é professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)

porFernanda de Freitas

Movimento negro em Campinas (SP) diz que PM mentiu sobre pedido de moradores para abordar negros e pardos

Na semana passada, 26/02, o portal UOL  publicou uma matéria sobre a prática de racismo que ocorreu em Campinas, onde o capitão Ubiratan de Carvalho Benedutti, do 8º Batalhão da PM, determinou, em 21 de dezembro, que jovens negros e pardos fossem abordados, com prioridade, na região do bairro Taquaral devido a uma série de roubos e furtos no local. Desde o início do ocorrido, a diretoria e a assessoria jurídica do STU têm acompanhado o fato, ouvido a manifestação dos moradores, organizado ações de protesto e estudado medidas jurídicas cabíveis contra a atitude tomada pela PM campineira.

Na oportunidade, o STU reafirma seu repúdio a qualquer forma de discriminação seja de raça, credo ou gênero e ressalta sua defesa intransigente pela democracia e respeito aos Direitos Humanos.

Confira abaixo a íntegra da matéria:

UOl: reportagem sobre racismoMovimento negro em Campinas (SP) diz que PM mentiu sobre pedido de moradores para abordar negros e pardos

Do UOL, em Americana (SP)

Integrantes do movimento negro de Campinas (93 km de São Paulo) afirmam que o comando da PM (Polícia Militar) forjou uma carta para justificar uma ordem supostamente racista dada por um capitão da corporação que determinava a abordagem prioritária a negros e pardos em um bairro nobre da cidade. A PM não comentou o caso e integrantes do movimento negro estudam a medida a ser tomada contra a PM.

O capitão Ubiratan de Carvalho Benedutti, do 8º Batalhão da PM, determinou, em 21 de dezembro, que jovens negros e pardos fossem abordados, com prioridade, na região do bairro Taquaral. Ao ser questionado, pela imprensa, sobre a ordem, a PM alegou que a determinação do capitão atendeu a uma demanda de populares, que apontaram suspeitos  negros e pardos como as autores de uma série de roubos e furtos no local. Na ocasião, a PM disse que uma carta foi encaminhada à instituição pedindo as abordagens e o reforço de policiamento e que a determinação do capitão era “de praxe”.

A carta e a ordem de serviço expedida pelo capitão Ubiratan possuem a mesma data mas, de acordo com lideranças do movimento negro, os moradores foram chamados pela PM depois do dia 21 de dezembro, quando a ordem de serviço foi emitida, e só assinaram a carta quando a ordem já era de conhecimento público.

O movimento não informou quando a reunião teria acontecido, apenas que foi posterior à assinatura da ordem de serviço e que, quando os moradores foram chamados, o caso já havia sido noticiado pela imprensa.

Segundo Reginaldo Bispo, coordenador de Organização do MNU (Movimento Negro Unificado), os moradores que assinaram a carta, Sérgio Maurício Montagner e Fujio Sato, se reuniram com as lideranças do movimento e expuseram a denúncia. A reunião foi gravada, com conhecimento de ambos.

Nelas, os moradores informaram, segundo o movimento negro, que teriam sido convocados até o 8º Batalhão a assinar a ordem de serviço elaborada pelo capitão Ubiratan sem saber que o documento fosse sair de dentro da corporação. “Foi garantido aos dois moradores que aquele era um procedimento administrativo, e que não iria sair de dentro do batalhão”, relatou Bispo.

Quando souberam que a carta assinada por eles estava circulando na imprensa como justificativa da PM para a ordem de serviço assinada pelo capitão Ubiratan, Sato e Montegner teriam, então, procurado o STU para relatar a apreensão que estavam vivendo naquele momento, e que foram “usados” pela PM.

Ação

No começo da noite de hoje, Bispo e advogados do STU (Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp) analisaram a gravação das denúncias e, até o fechamento desta reportagem, não haviam definido quais medidas seriam tomadas diante da denúncia contra a Polícia Militar. “Primeiramente vamos apurar a gravação e verificar se encaminharemos nova denúncia, dessa vez à Comissão de Direitos Humanos da Alesp (Assembléia Legislativa de São Paulo)”.

“A ordem do capitão foi a prova escrita e assinada de que o racismo permeia a democracia brasileira e que sentimos todos os dias na pele. Essa denúncia aponta para uma fraude inventada pela PM para que continue cometendo atos racistas”, disse Bispo.

A reportagem procurou durante toda a tarde de ontem os moradores do Taquaral para comentar sobre as denúncias, mas não localizou nenhum dos dois pelos telefones disponibilizados pelo movimento negro nem pelo número que consta na lista telefônica.

De acordo com Bispo, os moradores temem por represália e não querem falar com a imprensa. A reportagem também solicitou cópia da fita ao Movimento Negro, mas ela não foi entregue até o fechamento da matéria.

Caso

Segundo a determinação do capitão Ubiratan, dirigida ao Comando Geral de Patrulhamento da região, o policiamento deveria focar “abordagens a transeuntes e em veículos em atitude suspeita, especialmente indivíduos de cor parda e negra, com idade aparentemente de 18 a 25 anos, os quais sempre estão em grupo de 3 a 5 indivíduos na prática de roubo a residência daquela localidade”. Pessoas que se enquadram na descrição são consideradas suspeitas de praticar assaltos a casas na região e deveriam ser abordadas prioritariamente.

O caso gerou ação da Defensoria Pública de São Paulo, que entrou com representação na Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania contra Ubiratan. A Defensoria aponta que “a concretização da ordem implica, necessariamente, em intimidação, constrangimento e vexame aos cidadãos negros”.

Outro lado

A reportagem procurou o comando da PM e foi orientado à encaminhar um e-mail. O e-mail foi encaminhado às 15h, mas não foi respondido até o fechamento desta matéria.

A Secretaria de Justiça do Estado foi procurada para que informasse sobre o andamento da representação apresentada pela Defensoria Pública do Estado. A secretaria, por sua vez, informou que a denúncia foi encaminhada à SSP (Secretaria de Segurança Pública do Estado). Já a SSP transferiu a responsabilidade do caso para a Secretaria de Justiça.

Fonte: Portal UOL

porFernanda de Freitas

DO OESP: USP, Unesp, Unicamp e Fapesp têm juntas sobra de R$ 7 bilhões em caixa

Confira as matérias publicadas pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, no sábado, 23/02, sobre a reserva de caixa das universidades paulistas:

 

Jornal Estadão - 23/02/13

USP, Unesp, Unicamp e Fapesp têm juntas sobra de R$ 7 bilhões em caixa

Reserva financeira das universidades estaduais e da agência de fomento à pesquisa irrita Alckmin, que questiona por que dinheiro não é investido

Por Bruno Boghossian e Carlos Lordelo, para “O Estado de S. Paulo”

As três universidades públicas paulistas – USP, Unesp e Unicamp – encerraram o ano fiscal de 2012 com R$ 6 bilhões em caixa. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp) também tinha saldo positivo em 31 de dezembro, de R$ 1,02 bilhão. Os números foram apresentados em janeiro ao governador Geraldo Alckmin. Segundo aliados, ele reagiu com irritação, por julgar que as instituições deveriam investir mais em infraestrutura e na ampliação de projetos.

Os dados foram extraídos do Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios (Siafem) de São Paulo. A principal fonte de recursos das universidades e da Fapesp é o repasse de 10,57% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) recolhido pelo governo. Quanto maior a arrecadação, mais dinheiro entra nos cofres das instituições.

A avaliação de parte do governo é de que os contribuintes estariam pagando um tributo que não estaria sendo utilizado.

Alckmin teria ficado incomodado com o fato de que dirigentes das instituições costumam brigar por cada centavo de seus orçamentos. O dinheiro, no entanto, fica parado, sob a alegação de que a maior parte está comprometida com despesas já assumidas. A reserva também serviria para cobrir eventuais quedas de receita em decorrência de variação da arrecadação do ICMS.

Por seu tamanho, a USP recebe a maior fatia do repasse do imposto (5,029%). É também a universidade com o maior colchão financeiro: fechou 2012 com R$ 3,4 bilhões em caixa (acumulados ao longo dos anos). É uma sobra que quase se equivale ao orçamento anual da instituição. Para 2013, ele é de R$ 4,3 bilhões, dos quais 93% vão para gastos com pessoal.

O investimento em outras áreas teve desaceleração e até queda, como uma reportagem do Estado mostrou em janeiro. O orçamento de obras para este ano, por exemplo, caiu 10,7% na comparação com 2012. O alto custo com salários, benefícios e aposentadorias já leva o reitor João Grandino Rodas a cogitar buscar recursos em outras fontes, entre elas a iniciativa privada, caso a universidade “precise de mais do que recebe”.

Poupança. Integrantes do governo paulista dizem que o montante à disposição das quatro instituições se acumulou ao longo dos últimos anos. Sendo que só em 2012, com o rendimento da “caderneta de poupança” de 10% a 12%, foi possível economizar cerca de R$ 650 milhões.

O secretário estadual da Fazenda, Andrea Calabi, afirma que a economia feita pelas instituições é positiva, pois permite que elas mantenham uma situação confortável em seus caixas. “A parcimônia na gestão de caixa de todas as entidades públicas não é malvista pelo Tesouro. É claro que o objetivo é executar seus programas, mas a parcimônia é bem-vista quando tem caráter de precaução”, diz.

Questionado sobre o desempenho administrativo das instituições, Calabi foi sucinto: “A execução dos programas sempre está aquém do desejado. Sempre buscamos mais realizações.”

 

Instituições rejeitam ideia de ter verba ‘disponível’

As três universidades declaram que o colchão financeiro já está comprometido com despesas do ano passado

As universidades estaduais alegam que a maior parte dos recursos guardados está comprometida com despesas já assumidas. O colchão financeiro também serviria para cobrir eventuais quedas de receita em decorrência da flutuação do recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Em 2013, a previsão é de que o governo arrecade menos do que nos anos anteriores.

Em nota, a USP diz que o valor real disponível é de R$ 3,306 bilhões e há uma sobra a pagar referente a 2012 de R$ 463 milhões. Outros R$ 805 milhões vão para investimentos, em fase de planejamento ou licitação, em obras ainda não executadas. O dinheiro acumulado também será utilizado para cobrir R$ 509 milhões em despesas previstas no orçamento deste ano e que não terão cobertura do Tesouro estadual.

Ainda assim, sobraria em caixa cerca de R$ 1,5 bilhão, quase um terço do orçamento de 2013.

Ainda de acordo com a USP, a reserva financeira decorre de uma “gestão prudente” dos repasses do governo e do planejamento orçamentário da instituição. “Em caso de evolução desfavorável da arrecadação do ICMS, (a reserva permite) garantir a manutenção dos compromissos da universidade, tendo em vista que a despesa com pessoal é incomprimível, e para consolidar e manter o programa de expansão de vagas.”

A Unesp afirma que dispõe de R$ 886 milhões no seu balanço patrimonial referente a 2012 – 60% desse valor estaria comprometido com restos a pagar. Os outros 40%, segundo a universidade, são compostos de recursos federais repassados por meio de convênios e receita própria oriunda de atividades de ensino e pesquisa. “Dentro dos 40%, a universidade não pode prescindir de recursos para honrar despesas de custeio, contratos e investimentos no ano corrente, principalmente quando o repasse do ICMS é inferior às despesas mensais”, diz a Unesp em nota.

Já a Unicamp nega ter “recursos disponíveis”. Diz que “grande parte” de sua reserva financeira serve para pagar despesas já assumidas. O saldo da instituição, excluindo-se as verbas extraorçamentárias, é de R$ 1,1 bilhão. O que não está comprometido com restos a pagar constitui uma “reserva técnica” de R$ 244 milhões para cobrir eventuais quedas de receita.

Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo

poradmin

Assentados cobram ato de Dilma contra despejo

No último dia 29, o Tribunal Regional Federal da 3a Região tomou posição favorável à medida cautelar requerida pelo INSS e o Incra, que pedia a suspensão da liminar de reintegração de posse do terreno do Assentamento Milton Santos. A Usina Esther (controlada por sócios da EPTV/Rede Globo e arrendatária da área) e os Abdalla (que perderam o terreno por dívidas trabalhistas milionárias na década de 1960) ainda podem recorrer. Mas até o julgamento de novos recursos a propriedade fica garantida ao INSS, assegurando a permanência das famílias.

A iniciativa do INSS e do Incra foi resultado da mobilização. Especialmente a ocupação do Instituto responsável pela política agrária no país por dez dias e do Instituto Lula, na capital, por quase 24 horas. Os trabalhadores comemoraram a decisão, mas ressaltam que a solução definitiva para a contenda é a assinatura do decreto de desapropriação por interesse social, o que teria de ser feito presidente da República.

As famílias lembram ainda o caso do Pinheirinho, em São José dos Campos, em janeiro do ano passado. Na ocasião, também após uma decisão de segunda instância que assegurava a permanência das 1.500 famílias que viveram por mais de oito anos na área, houve um despejo brutal no dia 22 de janeiro. O STU segue acompanhando.

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Dia 17 tem ato contra o racismo em Campinas

No domingo (17 de fevereiro), a partir das 9 horas, acontece um ato contra a atitude da Polícia Militar de abordagem da juventude negra em Campinas. A manifestação também repudia a carta enviada ao comando da PM local solicitando a abordagem de jovens negros considerados “suspeitos”. Entre os autores da carta está o professor da Faculdade de Engenharia da Unicamp Fujio Sato. A concentração para o protesto será na Praça Kennedy, próximo ao Liceu.

Leia abaixo a nota do Fórum contra o racismo, o genocídio da população negra e a violência policial.

NOTA PÚBLICA DO FÓRUM CONTRA O RACISMO, O GENOCÍDIO DA POPULAÇÃO NEGRA E A VIOLÊNCIA POLICIAL

“….abordagem a transeuntes e em veículos, em atitude suspeita, ESPECIALMENTE INDIVIDUOS DE COR PARDA OU NEGRA … entre 18 e 25 anos, em grupo de 03 a 05 pessoas.”

Campinas, a última cidade do Brasil a abolir a escravatura, viveu no dia 21 de Dezembro de 2012 mais um episódio de racismo, desta vez realizada por meio de um documento oficial da PM em que um comandante da corporação, Cap. Ubiratan de Carvalho Góes Beneducci, enviou uma “ordem de serviço” em que ordena que sejam feitas abordagens a veículos e transeuntes especialmente NEGROS E PARDOS nas proximidades do colégio Liceu e bairros adjacentes.

Foi a prova escrita e assinada de que o racismo que permeia a democracia brasileira e que sentimos todos os dias nas ruas, escolas, empresas e até nas instituições públicas como a PM, não ficou no passado. Racismo este que tem contribuído para a ampliação das desigualdades sociais e que impedem as pessoas de terem direitos iguais como prega a Constituição.

Há inúmeros casos anteriores, que ganharam os noticiários da cidade, porém, antes desse, um caso vale a pena ser mencionado. Em 1984, BENÊ, um jovem trabalhador da CPFL, foi assassinado na porta do prédio onde morava por 02 PMs à paisana, sob alegação que havia alguém praticando furtos nas imediações do Cambuí, que se parecia com ele. Na ocasião mais de 1.000 pessoas se mobilizaram para exigir a demissão do comandante da PM que no julgamento protegeu e defendeu os assassinos.

Atitude muito parecida procedeu-se neste episódio com o Comando da PM e o Governo do Estado que, ao invés de apurar e punir o responsável pela emissão de um documento que explicita uma ação discriminatória, o protegeu e defendeu justificando sua ação com um pedido feito por meio de uma carta assinada pelo Sr. Fujio Sato e Sr. Sérgio Maurício Montangner que se identificam como moradores desta região, carta esta enviada no dia 21 de Dezembro de 2012 e prontamente atendida no mesmo dia pelo Cap. Ubiratan expedindo a referida “ordem de serviço” com mesma data.

Tanto a carta quanto a ordem de serviço não trazem maiores características a não ser, a cor da pele e a faixa etária, ou seja, JOVENS NEGROS(AS) E PARDOS(AS) nas proximidades da região supra citada são suspeitos e devem ser abordados. EM CAMPINAS EU SOU SUSPEITO.

Será que a mesma ordem de serviço foi expedida na região do Itaim-SP, sugerindo abordar moças jovens loiras quando no episódio da gang das loiras em São Paulo? Certamente não!

RACISMO É CRIME HEDIONDO, DE LESA HUMANIDADE!
SEM CONIVÊNCIA COM O RACISMO!
EXIGIMOS A EXONERAÇÃO DO CAPITÃO AUTOR DA ORDEM! RESPONSABILIZAÇÃO CRIMINAL POR RACISMO DO COMANDO DA PM E DO GOVERNADOR ALCKMIN POR CONIVÊNCIA RACISTA!

poradmin

Nota de repúdio do DCE-USP ao processo contra 72 estudantes

O DCE-Livre da USP vem a público repudiar a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo à Justiça no dia 5 de fevereiro, que acusa os 72 estudantes, que foram detidos durante a violenta reintegração de posse do prédio da reitoria em 2011, de danos ao patrimônio público, pichação, desobediência judicial e formação de quadrilha.

Além disso, também repudia as declarações da promotora Eliana Passarelli, autora da denúncia, à imprensa que chama os estudantes de bandidos e criminosos. Na nossa opinião, a intenção de criminalizar esses estudantes é um ataque ao movimento estudantil e aos movimentos sociais de conjunto, que possuem o direito democrático de livre expressão e manifestação.

Um dos principais problemas existentes hoje na USP é a falta de democracia na gestão da universidade, expressa hoje pelo atual reitor João Grandino Rodas. O convênio assinado com a polícia militar não foi em nenhum momento debatido junto à comunidade universitária e não solucionou o problema da falta de segurança que até hoje permanece dentro da Cidade Universitária. Por isso, em setembro de 2012, o DCE-Livre da USP realizou um ato público na Faculdade de Direito da USP contra a criminalização dos estudantes e em defesa da democratização da universidade, que contou com a presença do senador Eduardo Suplicy, do deputado estadual Carlos Gianazzi e do jurista Fábio Konder Comparato, além de diversos movimentos sociais.

Lutar por democracia e diálogo não é crime. O DCE-Livre da USP se posiciona contrário a qualquer tipo de punição a esses estudantes e convoca os demais alunos a seguirem na luta pela democratização da universidade.

DCE-Livre da USP – Gestão Não Vou Me Adaptar