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porStéphane Powaczuk

Atualização da Lei de Cotas é sancionada pelo governo federal

Na última segunda-feira, 13 de novembro, em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Lula sancionou a reformulação da Lei de Cotas. O Projeto de Lei (PL) nº 5384/2020, aprovado no Senado em 24 de outubro, faz mudanças na Lei nº 12.711 de 2012. A FASUBRA Sindical esteve presente no evento, representada pela Coordenadora de Administração e Finanças, Márcia Abreu da Silva.   

A solenidade da sanção contou com a presença dos ministros Camilo Santana (Educação), Anielle Franco (Igualdade Racial), Silvio Almeida (Direitos Humanos e Cidadania), Sonia Guajajara (Povos Indígenas), além de senadores, deputados e representantes da sociedade civil.

Sancionada em 2012, a Lei de Cotas determina a reserva de, no mínimo, 50% das vagas para ingresso nos cursos de graduação para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas. Essa determinação vale para instituições federais de educação superior.

Uma das mudanças aplicadas no PL é a redução da renda per capita máxima para concorrer às vagas destinadas a estudantes de baixa renda. Segundo a lei de 2012, 50% das vagas por cotas deveriam ser destinadas a estudantes oriundos de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário-mínimo (R$ 1.980). Agora, para concorrer nessa faixa das cotas, a renda deve ser de 1 salário-mínimo por pessoa da família (R$ 1.320).

Na nova redação, a lei inclui ainda pessoas quilombolas na reserva de vagas pelo sistema de cotas, além dos que já estavam incluídos em 2012 – autodeclarados pretos, pardos e indígenas e pessoas com deficiência continuam no texto. No caso do não preenchimento de todas as vagas, as remanescentes serão destinadas primeiramente para esses grupos.

Outra alteração, que busca aumentar a presença de cotistas no ensino superior, muda o processo para ingresso. A partir da atualização da lei, os candidatos passam a concorrer inicialmente pelo sistema de ampla concorrência e, caso não seja alcançada a nota de corte, passam a concorrer pela reserva de vagas. Pelas regras atuais, ao jogar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), por exemplo, o candidato precisa escolher em qual categoria de vagas prefere concorrer.

Ficam responsáveis pela implementação dessas políticas o Ministério da Educação (MEC) e os ministérios responsáveis pelas políticas de promoção da igualdade racial, implementação da política indígena e indigenista, direitos humanos e da cidadania e de promoção de políticas públicas para a juventude. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), assim como na lei vigente, deve ser ouvida pelos órgãos.

Fonte: Agência Gov.

Acompanhem a transmissão do evento:

porFernanda de Freitas

CONVITE | Mesa Redonda sobre Racismo

O Sintunesp promove Mesa Redonda sobre Racismo, quinta-feira (22), às 14h, na Unesp (Auditório C do Ibilce), em São José do Rio Preto.

A Coordenadora Geral do STU, Elisiene Lobo, compõe a mesa de debate junto aos psicólogos Juliana Mogrão Moreira e Alexandre Felipe de Oliveira e à professora Claudia Maria Ceneviva Nigro..

Assista a transmissão ao vivo: https://youtu.be/Qah06ezSsNQ.

porFernanda de Freitas

LIVE | Docentes negros nas Universidades Brasileiras hoje e os impactos das cotas étnico-raciais

Na sexta-feira (19/11), às 19h, a ADunicamp, em parceria com o STU, promove a live “Docentes negros nas Universidades Brasileiras hoje e os impactos das cotas étnico-raciais para mudanças no atual cenário”.

Participam do evento as docentes:

  • Luiza Oliveira, professora da Universidade Federal Fluminense;
  • Maria Valéria Barbosa, professora da Unesp de Marília e presidente da Comissão de Averiguação da Política de Reservas de Vagas para Pessoas Pretas e Pardas da Unesp;
  • Monica Abrantes Galindo, professora da Unesp de São José do Rio Preto.

A mediação será da professora Debora Cristina Jeffrey, professora da Faculdade de Educação da Unicamp.

O evento será transmitido no Facebook e, também, no canal da ADunicamp no YouTube: youtube.com/adunicamp. O STU irá retransmitir em seu Facebook esse evento.

Participe!

poradmin

Racismo nas universidades é mais uma face do golpismo

Após as sucessivas expressões de racismo e preconceito que vêm aparecendo na Unicamp, e em outras universidades – como o Mackenzie e a Unesp em Bauru e Araraquara – mais uma vez a sociedade paulista assistiu uma demonstração criminosa de estudantes universitários. Alunos da Faculdade de Medicina de Jundiaí, durante a competição chamada Pré-Intermed, ocorrida de 18 a 27 de março, pintaram nos próprios corpos a palavra “COTAS” em manifestação contra a maioria de estudantes oriundos de escolas públicas que ingressaram neste ano na Unicamp. Em um resultado considerado histórico por toda a comunidade acadêmica e de repercussão nacional, 88,2% dos aprovados no curso de Medicina da Unicamp vêm do ensino público.
Uma vitória desses jovens e da luta por uma universidade inclusiva, socialmente referenciada e democrática, que devolva à população que a sustenta o investimento neste centro de excelência.
A atitude dos futuros médicos da FMJ foi repudiada por centros acadêmicos de outras faculdades de medicina e é também repudiada pela diretoria do STU.
Assim como, junto com o Núcleo de Consciência Negra da Unicamp, realizamos no último dia 23 um importante ato em rechaço às manifestações de “supremacia branca” pichadas novamente no IFCH, nos somamos às vozes que reafirmam que o ingresso de estudantes de escolas públicas, negros e indígenas é uma reparação histórica àqueles que construíram a riqueza da sétima economia do mundo e que vêm sendo vilipendiados pelo Estado. Os atuais indicadores da Unicamp e de outras universidades públicas fortalecem a política de cotas defendidas pelo STU. Racistas, não passarão!

poradmin

Boletim do STU 07/2016

Baixe aqui Boletim do STU, de 6 de abril de 2016.

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porFernanda de Freitas

STU apoia Ato Contra o Genocídio da Juventude Negra

juventude-negra2Hoje, quinta-feira, (3), às 18h, no Largo do Rosário, o Núcleo de Consciência Negra da Unicamp, os coletivos negros, movimentos sociais e sindicais estão organizando uma mobilização contra o genocídio da juventude negra em repúdio à execução de cinco jovens no Rio de Janeiro, no sábado passado.

Em outras cidades do Brasil estão sendo organizados atos neste sentido, sendo importante que Campinas – por seu histórico de escravidão, de resistência do povo negro e de violência contra a juventude negra – se junte à mobilização nacional.

O combate ao racismo e todas as formas de discriminação, o fim do extermínio da juventude negra, a instituição de cotas no serviço público e no vestibular – para garantir que negros possam trabalhar e estudar na Unicamp – são algumas das bandeiras históricas defendidas pelo STU para lutar contra o preconceito e as desigualdades entre brancos e negros em nossa sociedade.

Por isso, o STU se junta a essa importante manifestação e presta sua solidariedade aos familiares e amigos desses jovens assassinados.

Manifesto

Confira abaixo a íntegra do “Manifesto Contra o Genocídio da Juventude Negra: Morreram Mais Cinco Jovens Negros No RJ!”.

Será que tivemos algo para comemorar em novembro depois de um ano no qual o racismo se demonstrou através mais de 10 chacinas na cidade de São Paulo?

Será que podemos comemorar alguma coisa depois da execução dos cinco jovens negros no Rio, no último sábado – 28/11?
Com certeza não!

Não comemoraremos o genocídio do nosso povo! Nós lutaremos e cobraremos uma postura do Estado! É hora de questionarmos o papel e a militarização da polícia que só contribui para o aumento dos atestados de óbito do povo preto! Lamentamos e nos posicionamos contra a execução de Roberto, Carlos Eduardo, Cleiton, Wilton e Wesley.

Sendo assim, o Núcleo de Consciência Negra da Unicamp convoca todxs para um ato no dia 3 de dezembro, quinta-feira, às 18h, no Largo do Rosário. A concentração acontecerá às 17h, para confecção de faixas e organização do trajeto.

Marcharemos contra o genocídio da população negra e pela tomada de providência por parte dos gestores do Estado em relação à punição dos policiais assassinos.

CHEGA DE EXTERMÍNIO DO POVO PRETO!

PELO FIM DO RACISMO E DA VIOLÊNCIA POLICIAL!

Fonte: com informações do Núcleo de Consciência Negra da Unicamp

poradmin

Moção de apoio a Pablito assinada por diversos movimentos sociais

ABAIXO À PERSEGUIÇÃO AOS LUTADORES EM DEFESA DAS COTAS RACIAIS E DA EDUCAÇÃO PÚBLICA NA USP!

No dia 14 de abril ocorreu na USP a reunião do Conselho Universitário (órgão máximo de deliberação na universidade), onde seriam pautadas mudanças no Estatuto da USP. Tais mudanças partem do tardio, reconhecimento pela reitoria do enorme desgaste de uma estrutura de poder universitária que se mantém inalterada há décadas através da qual a Universidade de São Paulo mantém seu caráter autoritário, antidemocrático, elitista e notadamente racista.

Sem perceber isso não é possível explicar o fato de que em um país com 53% da população negra, apenas 7% de seus estudantes sejam negros, enquanto entre os terceirizados a esmagadora maioria são negros. Foi para mudar esta terrível realidade que trabalhadores e estudantes protestaram no local onde ocorria a referida reunião exigindo, entre outras revindicações, que a reitoria recebesse uma comissão de estudantes e trabalhadores negros que portava um documento solicitando a implementação das Cotas Raciais na USP e que este tema fosse pauta da reunião do Conselho Universitário.

A resposta da reitoria não foi apenas se recusar mais uma vez a discutir as cotas raciais na USP, mesmo após anos da aprovação da Lei nº 12.711/2012 (que institui as cotas raciais e sociais no ensino superior), mas se recusou até mesmo a receber a representação de estudantes e trabalhadores negros e passou a perseguir e ameaçar com processos administrativos, criminais e judiciais os ativistas, dirigentes sindicais e estudantis (entre os quais já consta aberto o processo 00009828120155020042/ 42ª. Vara do Trabalho de São Paulo pedindo a demissão de Marcello “Pablito”, trabalhador negro e diretor da Secretaria de Negros e Combate ao Racismo do Sintusp) por lutar junto aos estudantes e trabalhadores em defesa das cotas raciais e da educação publica no referido dia.

Estas medidas se somam às constantes ameaças de desalojamento do Núcleo de Consciência Negra, a militarização da universidade, a ameaça de despejo da população negra das comunidades no entorno da USP revelando mais uma vez o profundo autoritarismo e o caráter antipopular, elitista e racista da reitoria desta universidade.

Pelo exposto acima, nós, abaixo assinado nos manifestamos contrários a perseguição dos estudantes, trabalhadores e professores que lutam em defesa das cotas raciais e da universidade pública, exigimos a retirada imediata dos processos administrativos,criminais e judiciais contra os lutadores! Abaixo o racismo na USP! Cotas raciais já!

porFernanda de Freitas

Ações Afirmativas e Cotas na Universidade: Novas Propostas e Iniciativas de Inclusão é tema de mesa de debate na Unicamp

Na próxima quinta-feira (21/11), às 14h, no Auditório II do IFCH acontece a Mesa-Redonda sobre “Ações Afirmativas e Cotas na Universidade: Novas Propostas e Iniciativas de Inclusão”.

O encontro discutirá a democratização do acesso à universidade por meio das ações afirmativas. E para fazer esse debate estão convidados:

  • Ana Flávia Magalhães Pinto (Doutoranda em História Social, UNICAMP);
  • Gabriel Banaggia (Pós-Doutorando do Museu Nacional do Rio de Janeiro);
  • Givânia Maria da Silva (Coord. Geral de Regularização dos Territórios de Quilombos do INCRA).

A atividade é coordenada por Lucilene Reginaldo (Profa. Dra. do Departamento de História da Unicamp) e realizada pelo Centro de Pesquisa em História Social da Cultura (CECULT) da Unicamp.

 

Cotas nas universidades:

A política de cotas, nas diversas universidades públicas e privadas brasileiras, revelam que o desempenho escolar dos alunos oriundos dessa iniciativa é igual ou superior ao dos alunos que entram pelo vestibular dito universal.

Dados da UNB, da UERJ, da UNEB, da UFBA e, inclusive, do PROUNI (outro meio de ação afirmativa voltado para a iniciativa privada) comprovam essa afirmativa. Esses resultados contradizem o tradicional discurso contra as cotas que afirma que durante o período acadêmico o aproveitamento do aluno cotista é insuficiente.

É de conhecimento de todos que o ensino superior brasileiro é marcado pela desigualdade social e racial, a qual resulta em uma situação de desvantagem para os estudantes oriundos de diferentes grupos sociais e étnico-raciais. Por isso, o debate sobre os desafios e perspectivas das ações afirmativas se faz muito necessário, principalmente dentro da Unicamp, que ainda não adotou a iniciativa regulamentada pelo governo federal.

poradmin

Movimentos sociais rechaçam PIMESP em audiência na Assembleia Legislativa

O diretor do STU Toninho fala durante a audiência. (Crédito: Daniel Garcia)

O diretor do STU Toninho fala durante a audiência. (Crédito: Daniel Garcia)

Por Luciana Araújo

 

O STU esteve representado na noite desta quarta-feira (14) na audiência pública realizada pela Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa para debate a implantação do “Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista” (Pimesp). O evento atendeu ao primeiro compromisso firmado por deputados de oposição ao governo Alckmin durante plenária realizada no dia 5 de fevereiro na Câmara Municipal de São Paulo, por iniciativa da Frente Estadual Pró-Cotas. A audiência foi presidida pela deputada estadual Leci Brandão (PCdoB), e contou com a presença do coordenador da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) e ex-reitor da Unicamp, Carlos Vogt; do reitor da Unesp, Júlio César Durigan; e da pró-reitora de graduação da USP, Telma Zorn. A Unicamp foi representada pelo pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários, João Frederico da Costa Azevedo Meyer, já que o reitor Fernando Costa não apareceu – embora todos os reitores tivesse assumido junto à liderança do governo na Alesp o compromisso de participar do evento, segundo anunciou a deputada Leci Brandão. O interesse que o assunto desperta se evidenciou na necessidade de transferir o evento para o plenário Juscelino Kubitschek – o maior da Casa, onde acontecem as sessões solenes.

O PIMESP foi anunciado em dezembro do ano passado como um plano de autoria do governo estadual desenvolvido por comissão composta no âmbito no Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Foi elaborado sob a justificativa de aumentar os níveis de ingresso de alunos oriundos de escolas públicas e, dentre estes, negros e indígenas nas universidades públicas do Estado. No entanto, por estabelecer a exigência de que o público alvo do programa seja obrigado a passar dois anos num curso de nivelamento entre a educação de nível médio e as instituições de ensino superior, parte dele à distância, o PIMESP vem sendo rejeitado por entidades do movimento negro, juristas, parlamentares e entidades representativas das comunidades universitárias.

Subfinanciamento

Plenário lotado acompanha debate sobre cotas nas universidades. (Crédito: Leon Cunha)

Plenário lotado acompanha debate sobre cotas nas universidades. (Crédito: Leon Cunha)

Coube a Carlos Vogt o papel de apresentar o PIMESP. Ele destacou o fundo que o governo pretende criar para financiar o programa. Segundo ele, o governador teria acordo em gastar R$ 94,679 milhões em sete anos e, a partir daí, os valores empregados no PIMESP “permanecerão constantes”, de acordo com documento distribuído pelo coordenado da Univesp durante a audiência. O anúncio levou Vogt a encerrar sua fala ao som da palavra de ordem “Se cuida seu racista, a universidade vai ficar cheia de cotistas”. A indignação veio do fato de que, hoje, os orçamentos das três universidades somam cerca de R$ 9,5 bilhões. Ou seja, em sete anos, o governo estadual pretenderia investir menos de 10% do que é repassado às instituições por meio de um modelo de financiamento cuja alíquota está congelada há mais de 20 anos.

Diante da indignação, o reitor da Unesp anunciou que a proposta ainda está em discussão nas universidades e que será implementada se for aprovada nos conselhos universitários. Em resposta, os participantes no plenário gritaram “ô reitor, que papelão, esse Pimesp é falsa inclusão”. Logo em seguida a pró-reitora de graduação da USP reforçou a tese do Cruesp de que os 60 dias conferidos às instituições para que “analisem” a minuta do PIMESP nas congregações seria debate suficiente. Durante sua fala, Telma Zorn traiu-se ao falar da importância das políticas de inclusão que as universidades paulistas já desenvolvem e afirma que “alunos de escolas públicas ligam nas nossas unidades perguntando quanto custa a mensalidade” na USP. Em meio a gargalhadas do plenário diante da confissão institucional do distanciamento da maior universidade do país e a população pobre do Estado, Telma ainda afirmou que “a USP tem, de fato, um excelente programa de permanência, que custa milhões à sociedade paulista”. Hoje, de acordo com os dados divulgados pelo governo, a USP tem apenas 28% de alunos que vieram de escolas públicas. Na Unicamp, o percentual é de 32% apenas. A Unesp tem 40%, como resultado de sua maior capilarização do Estado.

O representante da Unicamp também foi muito vaiado ao anunciar que a base da política de permanência da instituição está ancorada numa bolsa permanência em torno de R$ 324,00. O representante do DCE da USP chegou a questionar José Frederico se um filho do pró-reitor sobreviveria com o valor da bolsa paga aos ingressantes do Profis (Programa de Formação Interdisciplinar Superior) – modelo do PIMESP.

Elitismo, racismo e inconstitucionalidade

Ao longo da audiência os representantes do Cruesp e do governo Alckmin ouviram críticas pesadas ao PIMESP, dos movimentos sociais e dos parlamentares.

O professor de Filosofia do Direito e presidente do Instituto Luiz Gama, Silvio de Almeida, afirmou que o projeto tem problemas políticos, técnicos e jurídicos. Isso porque não está sendo discutido com a sociedade, não foram apresentados critérios objetivos para o modelo de ingresso proposto e todos os dados apresentados carecem de fontes, além de estabelecer uma discriminação negativa proibida pela Constituição Federal. O fato das universidades reivindicarem a autonomia universitária para não debater o projeto também foi criticada por Silvio. “Foi o governador que anunciou o projeto, mas quando a sociedade quer discutir, fere a autonomia universitária. Isso é desconhecer o Direito Constitucional”.

O representante da Uneafro (rede de cursos pré-vestibulares voltada para alunos afrodescendentes e filhos da classe trabalhadora), Douglas Belchior, apresentou uma retrospectiva da luta pelas cotas no Estado. E lembrou que, em cinco anos de funcionamento de seu programa de inclusão, a USP matriculou apenas 87 negros nos cursos considerados de ponta (Direito, Medicina e Engenharias). E cobrou aos representantes das universidades: “Até quando vocês vão ficar surdos e cegos para o que vem da sociedade, que, aliás, é quem paga o salário de vocês?”.

O diretor da União Estadual dos Estudantes, Alexandre Cherno, também rebateu o argumento defendido pelos reitores paulistas de que as cotas raciais poderiam levar à queda na qualidade dos cursos. “Os cotistas têm maiores índices de aprovação em universidades que já têm cotas. Por que em São Paulo eles têm que passar por duas seleções?”, indagou, lembrando que o PIMESP prevê que o aluno sai do ensino médio, é submetido a um processo seletivo para ingressar num curso de qualificação de dois anos, parte à distância, para só então ser submetido novamente a uma seleção para ingresso efetivo nas universidades.

O diretor do STU Antônio Alves Neto (o Toninho) aproveitou sua fala para lembrar que a reitoria Vogt esteve entre as piores da história da Unicamp e afirmou que ao propor a exigência de um curso intermediário entre a formação básica e a universidade para os alunos da escola pública, que não é exigida a todos os ingressantes no ensino superior, “o governo do Estado admite o total fracasso da educação pública em São Paulo, que o estudante da escola pública não tem que estar na universidade na visão da elite paulista”. Toninho ressaltou ainda “a gente tem uma tarefa árdua, mais do que debater aqui na Assembleia Legislativa, que é debater com a população nas ruas e e fazer com que essa população ocupe o seu espaço dentro da universidade pública”.

Para o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL), o PIMESP é “racista, elitista e antidemocrático”. O também deputado Adriano Diogo (PT) afirmou que a proposta foi desenhada por fora do procedimento legislativo porque “não pode ser na forma da lei, porque preserva a autonomia universitária para manter a escravidão”.

Os deputados Alencar Santana, Telma de Souza, Luiz Cláudio Marcolino e Marco Aurélio (todos do PT) também participaram da atividade.

poradmin

Jornal do STU 01/2013

Baixe aqui o JornalSTU_01-2013 – edição de Fevereiro de 2013.

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