O reitor Paulo Cesar Montagner tem mantindo uma postura intransigente desde que assumiu a reitoria, rompendo, no ano passado, as negociações de forma unilateral.
Diante disso, trabalhadores e trabalhadoras estão se posicionando. O STU elaborou um modelo de carta para ser enviado diretamente ao reitor Paulo Cesar Montagner, cobrando compromisso com a valorização da categoria, abertura real de negociação, reposição das perdas salariais (15,97%), pagamento do Descongela Já e reajuste nos benefícios.
Nos últimos anos, enquanto acumulamos perdas profundas por conta do arrocho salarial, o reitor segue investindo em obras e reformas, mas não há a mesma disposição quando o assunto é salário e condições de vida de quem faz a Unicamp permanecer no ranking de melhores universidades do mundo.
Antes de assumir, a gestão Cesinha & Coelho afirmou que a valorização dos trabalhadores seria prioridade, mas o que vemos agora vai na direção oposta.
📩 A orientação é simples: copie e cole a CARTA no seu e-mail, personalize se quiser e envie para o e-mail da reitoria [reitor@reitoria.unicamp.br, reitor@unicamp.br]. A pressão precisa vir de todos os lados.
Cresce na universidade a indignação com esse cenário porque quando não há diálogo, a mobilização fala mais alto.
Somos nós que fazemos a Unicamp funcionar e sabemos também como fazê-la parar, se for preciso.
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COMO FAZER: abra o seu e-mail, copia a carta e o e-mail do reitor [reitor@reitoria.unicamp.br, reitor@unicamp.br], acrescenta seus dados e depois envia 👇🏽
Magnífico Reitor da Unicamp
Prof. Dr. Paulo Cesar Montagner,
Como trabalhador/a da Unicamp, vejo com indignação as sinalizações de crise financeira apresentada por esta Reitoria, comprometendo, de saída, qualquer possibilidade de diálogo efetivo na nossa data-base. Tal atitude ignora a realidade da categoria e desrespeita quem garante a excelência desta universidade no dia a dia.
Nossa data-base, que inicia em maio, deveria ser um momento de diálogo entre as três universidades estaduais paulistas (Unicamp, Unesp e USP) e as entidades representativas, no âmbito do Cruesp e do Fórum das Seis. No entanto, essa sinalização prévia da Reitoria da Unicamp compromete o rito processual e a esvazia de sentido. Tal postura isola a instituição e nos afasta de uma saída construída pelo diálogo comum.
Essa postura se agrava quando observamos o cenário concreto vivido pelos trabalhadores/as. Nossa reivindicação de 15,97% busca apenas recompor o poder de compra ao patamar de maio/2012, último momento em que os salários tiveram maior valor real. Mesmo assim, esse índice ainda não incorpora a inflação de abril/2026.
Trata-se de um processo contínuo de corrosão da nossa renda, enquanto o custo de vida segue aumentando, pressionado por itens básicos como alimentação, moradia e saúde.
Ao mesmo tempo, causa indignação perceber que, enquanto se alega falta de recursos para atender reivindicações salariais, a universidade mantém investimentos em obras, reformas e expansão física, como é o caso na nova sede da reitoria que irá consumir cerca de R$ 30 milhões, só na primeira fase.
Não se trata de negar a importância dessas iniciativas, mas de questionar prioridades: uma instituição de excelência não se sustenta por seus prédios e bens móveis e sim pelas pessoas que a constroem diariamente.
Também é fundamental registrar que parte das reivindicações sequer depende de negociação externa. O pagamento do chamado “Descongela Já”, baseado em lei aprovada, está ao alcance da decisão da própria reitoria, uma vez que a Unicamp possui autonomia administrativa e financeira e possui reserva financeira suficiente.
A ausência de encaminhamento, nesse sentido, reforça a percepção de que não há disposição em reparar perdas impostas aos trabalhadores que arriscaram suas vidas para salvar a população durante a pandemia.
No campo dos benefícios — vale alimentação, vale refeição e auxílio saúde etc. — a responsabilidade é direta da reitoria, por meio da negociação com o STU. Esses itens impactam de forma imediata as condições de vida dos/as servidores/as e não podem ser tratados como secundários.
Na ocasião da consulta, esta Gestão se comprometeu com a valorização dos recursos humanos sinalizando que seria uma prioridade. No entanto, o que se observa hoje é a piora nas condições de trabalho, aumento de casos de assédio, adoecimento relacionado ao trabalho dos/as funcionários/as e a adoção de medidas estruturais relevantes sem o devido diálogo com a comunidade, como no caso da Autarquização da Área da Saúde.
Diante desse conjunto de fatores, cresce entre nós, trabalhadores e trabalhadoras da Unicamp, um sentimento de indignação. Não se trata apenas de discordância pontual, mas da percepção de um distanciamento entre o compromisso assumido na campanha e as práticas intencionais adotadas por esta gestão.
A Unicamp é construída todos os dias por trabalhadores/as comprometidos/as com a defesa da Universidade Pública, Gratuita, de Qualidade e a defesa do Serviço Público. E são esses/as mesmos/as trabalhadores/as que têm plena consciência da importância de seu papel na construção de uma sociedade justa e humanizada.
Exigimos respeito e reconhecimento condizentes com a excelência que entregamos à Unicamp. Uma instituição que não valoriza seus/uas trabalhadores/as falha em sua missão social e abdica da dignidade acadêmica que tanto preza.
Atenciosamente,
[Nome] / [Unidade/Órgão]

