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porFernanda de Freitas

Nota de solidariedade às vítimas dos ataques racistas em Barão Geraldo

Na última sexta-feira (06), um grupo fascista iniciou ataques contra negros que estavam no Bar do Ademir, em frente à moradia de estudantes da Unicamp. 

Um carro preto parou no local, onde homens com roupas pretas e jaquetas de couro atacaram clientes do bar e o gerente, que tentou conter a confusão.

Os frequentadores do bar relataram terem visto símbolos nazistas na roupa de pelo menos um deles e que foram ameaçados com armas de fogo. Mais tarde, um grupo com as mesmas características foi preso em Paulínia após terem ferido duas pessoas com tiros nas mãos, pés e abdome. 

Os relatos dos ataques são semelhantes e testemunhas relacionam o carro utilizado com o que esteve no atentado contra o Acampamento Marielle Vive, em Valinhos/SP, fato que está sob investigação policial.

O fato desta última semana não ocorreu de forma isolada. No final de abril, alunos do CACH (Centro Acadêmico) do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Unicamp denunciaram pichações nazistas feitas em paredes do instituto, com suásticas e dizeres em apoio ao golpe ocorrido em 1964. As pichações foram apagadas pelos próprios alunos, em mutirão. 

Sobre os ataques ao bar do Ademir, a reitoria respondeu à matéria do G1 “não terem ocorrido dentro do campus”. Mas sabemos que embora o local do ataque não pertença à Universidade, é historicamente um ponto de encontro e socialização dos estudantes até por se localizar em frente à moradia estudantil. 

O STU expressa a sua solidariedade às vítimas desses ataques covardes. E reafirma o nosso compromisso com a luta contra todo e qualquer tipo de preconceito, racismo, homofobia e ao ódio e violência incentivados pelos discursos bolsonaristas.

Aproveitamos também para cobrar que os órgãos cabíveis fiscalizem e punam os envolvidos no episódio.

porFernanda de Freitas

Marcha Zumbi dos Palmares é símbolo de resistência da luta antirracista em Campinas

A violência contra João Alberto Silveira Freitas, um homem negro que foi asfixiado até a morte na noite de 19/11 por dois seguranças brancos em uma unidade do Carrefour em Porto Alegre/RS, gerou uma onda de protestos pelo país.

No Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de Novembro, a 19ª Marcha Zumbi dos Palmares de Campinas organizou um protesto pacífico em repúdio às atrocidades decorrentes do racismo.

No ato, sob o lema “Contra o Racismo e a Violência Policial”, ecoou o grito cada vez mais forte no mundo de que as vidas negras importam.

Na reunião dos líderes do G20, Bolsonaro criticou os protestos por discriminação no país e nas redes sociais disse ser “daltônico” e que “todos têm a mesma cor”. O vice-presidente Mourão foi mais além ao dizer que “não existe racismo no Brasil”.

Considerar que inexiste racismo demonstra como o Dia Nacional da Consciência Negra é essencial para fomentar um debate mais aprofundado sobre o racismo estrutural e o mito da democracia racial.

O STU repudia essa postura de minimizar as mortes de negros e negras vítimas de violência e de situação de vulnerabilidade social que afeta negativamente essa população.