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porStéphane Powaczuk

Redução de ICMS coloca em risco condições de trabalho na Unicamp, USP e Unesp

Corrida para frear a alta dos preços dos combustíveis é mais uma tentativa desesperada de Bolsonaro de se reeleger

Foto: Reprodução site Pragmatismo Político.

Um bilhão de reais é o que a USP, Unesp e Unicamp podem perder juntas se o Senado Federal aprovar o Projeto de Lei Complementar 18/2022, que limita a 17% o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), cobrado sobre combustíveis, energia elétrica, comunicações e transportes coletivos.

O projeto classifica esses itens como bens e serviços essenciais, passando a valer o entendimento do Supremo Tribunal Federal que limita a incidência do imposto. 

Quando se reduz o ICMS de forma deliberada, como propõe o governo Bolsonaro, automaticamente há um impacto na cota parte dos municípios, ou seja, a transferência automática de valores da arrecadação desse imposto.

Por isso Bolsonaro anunciou que se essa proposta, já aprovada na Câmara dos Deputados, passar pelo Senado Federal, ele paga a diferença. Isso significa que o governo pretende repassar os bilhões que cada estado ganha com o imposto como uma forma de compensação.

A preocupação de Bolsonaro e seus aliados com a reeleição é tamanha que essa proposta passa por cima das regras fiscais impostas pela lei que limita o teto de gastos.

Reduzir o ICMS para controlar os preços da inflação é mais um “truque” do governo para melhorar a sua baixa popularidade diante da eleição. Pois, de acordo com economistas ouvidos pelos veículos de imprensa, a redução dos preços de combustíveis pode ser menor ou nem acontecer, como prega o governo.

Alta da gasolina atinge toda população que sofre com aumento da inflação.


Economia em crise
O coordenador geral do STU, José Luis Pio Romera, afirma que reduzir os preços dos combustíveis pode não surtir o efeito desejado porque “a política de preços da Petrobrás está atrelada ao dólar e ao Mercado Internacional. Neste caso, o correto é mudar a politica de preços da Petrobrás e não alterar o ICMS”.

Pio explicou que a medida do governo é eleitoreira e não protege a população porque se houver aumento de preço do barril de petróleo, a redução da alíquota de ICMS não surtirá efeito no bolso do trabalhador.  Pior ainda, quando o preço do petróleo diminuir, a arrecadação do Estado estará muito prejudicada.

O ICMS é utilizado para financiar setores essenciais como Saúde, Segurança e Educação por ser a principal fonte de arrecadação dos Estados.

Para a Sefaz (Secretaria da Fazenda e Planejamento) de São Paulo, a diminuição da arrecadação deve causar uma perda anual de R$ 14,36 bilhões. Só na rede de Saúde o corte pode chegar a R$ 1,29 bilhão.

E o que o/a trabalhador/a da Unicamp tem a ver com isso?
Sob a desculpa de diminuir a carga tributária para proteger os bolsos dos brasileiros, ao invés de instituir políticas públicas que reduzam o custo de vida da população, Bolsonaro causará mais danos ao orçamento dos estados e municípios.

Esse “atalho” duvidoso pode prejudicar ainda mais as famílias de baixa renda, pois, de que adianta reduzir o preço da gasolina e piorar os atendimentos no SUS e sucatear as escolas?

Segundo dados divulgados pela Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) o custo de vida do cidadão brasileiro subiu 72%, desde o janeiro de 2019 até abril de 2022.

A prova de que essa medida pode ser uma furada é que o governo já reduziu impostos da carne bovina, farinha de trigo e biscoitos, por exemplo, mas essa baixa dos preços ainda não chegou aos supermercados.

Essa nova medida parece muito distante da sua realidade, mas não se engane! Cedo ou tarde, esse corte vai estrangular os atendimentos nos nossos hospitais, piorar ainda mais as condições de trabalho aqui na Unicamp e virar justificativa para o Cruesp não reajustar os nossos salários por falta de verba.

É evidente que Bolsonaro é inimigo da população e o maior destruidor dos serviços públicos.

Para o STU, o governo Federal, sem uma discussão prévia com os Estados, patrocina uma proposta totalmente eleitoreira e descabida que fere a autonomia dos Estados e compromete ainda mais as verbas das universidades públicas estaduais.


porStéphane Powaczuk

CRUESP, cadê a reunião de negociação?

Estamos há quase dois meses esperando que o CRUESP responda aos ofícios encaminhados pelo Fórum das Seis. Fizemos um ato unificado com a USP, e a UNESP, no dia 31 de maio em frente a reitoria da Unicamp, mas as portas foram lacradas para que os trabalhadores não fossem ouvidos, e o Tom Zé, que é o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas teve a coragem de dizer “agenda com a secretária”.

O trabalhador não pode esperar, nossos salários estão defasados, sem reposição da inflação. O comprometimento com a folha de pagamento da Unicamp é o mais baixo dos últimos anos, sabemos que existe verba. Após dois anos de contingenciamento das despesas com a LC 173, os caixas das Universidades engordaram e seguem cheios, enquanto o bolso do trabalhador permanece vazio.

A reitoria não está priorizando nossa pauta, por isso precisamos da sua ajuda para lutarmos juntos pela reposição da inflação!

Essa semana o Fórum das Seis vai se reunir para definir os rumos da nossa campanha salarial data-base 2022. E também já nos convocou para participar do Ato Nacional em defesa da educação e da ciência que vai acontecer dia 09 de junho. Vamos nos mobilizar para denunciar os cortes do governo Bolsonaro à ciência e à educação, que recentemente teve um bloqueio de R$3,3 bilhões da educação, atingindo as universidades e rede de institutos federais. Em breve informaremos sobre o local e horário do ato em Campinas, continue acompanhando as redes sociais do STU.

porFernanda de Freitas

Dinheiro tem, só não está vindo para o trabalhador

Inflação em alta, arrecadação crescendo… e o Tom, Zero!

A nossa Campanha Salarial começou e você deve estar se perguntando se é possível conseguir um novo reajuste depois da conquista dos 20,67%, em março recente.
Vamos aos fatos!

A inflação de maio/2012 a março/2022 foi de 83,53%, segundo os indicadores do Dieese +INPC-IBGE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Neste período, tivemos reajuste salarial de 53,27%.

Para fechar esse ciclo e retornar ao poder de compra que tínhamos em maio/2012, falta um reajuste de 21%, considerando a inflação de abril/2022.

De acordo com o Fórum das Seis os números da arrecadação e do comprometimento com a folha de pagamento provam que dá para avançar na data-base 2022.

Precisamos de unidade e mobilização para incomodar os reitores e impedir que eles joguem a negociação salarial para o ano que vem, como desejam.

Os ótimos resultados do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) em março mostram que o reajuste recente alterou pouco o comprometimento com a folha nas três universidades. Compare no quadro.

Universidades escondem o ouro

A estimativa de arrecadação de ICMS feita pelo Fórum das Seis é de R$ 152,3 bilhões em 2022 e os repasses para as três universidades seriam de R$ 14,575 bilhões/ano. Já o custo das folhas de pagamentos das três universidades com o reajuste de 21%, a partir de maio, ficaria em R$ 11,826 bilhões.

Esse valor representaria um comprometimento de 81,14% com a folha, provando que o Cruesp tem recursos para atender a pauta do Fórum e as universidades não vão quebrar como eles afirmam!

Em abril, as reservas financeiras da USP, Unicamp e Unesp atingiram juntas cerca de R$ 7 bilhões.

É melhor você se preocupar em ficar sem reajuste, mais uma vez, como aconteceu ano passado. Lembra que, em plena pandemia, recebemos 0% de reajuste, mesmo trabalhando muito em home office e nos hospitais?

Os 20,67% de reajuste, em março, contribuíram para repor parte da inflação, mas o nosso poder de compra continua muito baixo diante da alta dos preços.

Cruesp segue adiando discussão salarial

Há mais de um mês o Fórum aguarda a reunião de negociação para discutir os pontos da Pauta Unificada 2022. Sem contar os mais de 50 dias esperando a reunião do Grupo de Trabalho (GT) Salarial, criado em 2021.

No ano passado o GT não avançou em nada! Por isso, o Fórum cobra a discussão e construção de propostas para os planos de reposição das perdas históricas e de valorização dos níveis iniciais das carreiras.

A mobilização será fundamental para avançarmos na luta salarial! Então não perca a assembleia de amanhã (19/05), às 12h, na sede do STU (ao lado da ADunicamp).