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Supersalário e dupla remuneração da Unicamp são ilegais e imorais

Nas últimas semanas vem ganhando destaque a polêmica envolvendo os supersalários dos dirigentes da Unicamp. O estopim foi a ação movida pela Folhapedindo a divulgação dos salários dos servidores da Universidade. Há anos o TCE (Tribunal de Contas do Estado) critica o descumprimento do teto constitucional e a ilegalidade da dupla remuneração paga à cúpula universitária.

Ainda em 2012, o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp denunciou que alguns salários ultrapassavam o dobro do teto. O simples fato de ser necessário acionar a Justiça já é em si um escândalo.

Os salários pagos em qualquer órgão público não são uma questão interna. É um direito da população ter acesso a todas as informações sobre o uso dos recursos públicos.

E os trabalhadores da Unicamp, conscientes disso, há anos exigem da reitoria a divulgação dos salários, inclusive para mostrar que a situação da maioria é radicalmente diferente: mais de 80% dos técnico-administrativos da Unicamp estão abaixo dos pisos salariais praticados pela USP, ainda que ambas as universidades sejam mantidas pelo governo do Estado.

Tal quadro constitui violação da regra de que trabalhos iguais devem ser igualmente remunerados, a exemplo do que corretamente já ocorre com o corpo docente.

Feita a divulgação, descobriu-se que os salários da cúpula da Unicamp chegam a R$ 50 mil por mês, incluindo um salário extra de R$ 14,9 mil para o exercício de cargos da administração superior.

Ora, no exercício do cargo, o reitor, por ter todo seu tempo consumido pelas atividades inerentes a tal posição, tem a justa prerrogativa de não cumprir as obrigações decorrentes do cargo de professor titular (ensino, pesquisa, extensão e atividades administrativas).

Tal prerrogativa apenas mantém seu caráter de justiça se acompanhada da interrupção temporária do recebimento do salário de professor titular e recebimento exclusivo do salário de reitor. Nada justifica a dupla remuneração.

Independentemente da controvérsia relativa ao teto, seja este o salário do governador do Estado ou o equivalente a 90,25% do salário de desembargador do Tribunal de Justiça (conforme defendido pelas associações docentes), chama atenção o fato de que uma pequena porção de servidores ganha salários inexplicavelmente altos, ultrapassando o dobro do atual teto constitucional e sendo muito maior que o teto reivindicado.

Mesmo considerando um servidor no topo da carreira, com adicionais por tempo de serviço e outros benefícios, ainda assim não se explicam salários como os recebidos pela cúpula da Unicamp. Por isso, é urgente que a reitoria divulgue não apenas o montante pago, mas também a composição dos salários. Além, claro, de cumprir a lei sem apelar a heterodoxias legais.

Por fim, um alerta. Parte da comunidade universitária teme que a exposição de tais mazelas ajude os que, nos governos e fora deles, intentam o desmonte e a privatização da universidade pública. Trata-se de uma preocupação legítima.

Mas a nossa luta em defesa da ampliação do investimento no ensino público e da valorização salarial dos trabalhadores da educação nada tem a ganhar quando fechamos os olhos para o injustificável. Até porque a atual cúpula da Unicamp, que se beneficia dos supersalários, é formada justamente por uma (não tão) estranha composição entre os que há muitos anos conduzem nosso país e nosso Estado ao abismo educacional.

IURIATAN FELIPE MUNIZ, 31, e TEÓFILO REIS, 31, são diretores do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp

(*) Texto publicado na coluna Tendências e Debates do jornal Folha de São Paulo, edição do dia 18 de setembro de 2015.

porFernanda de Freitas

Trabalhadores da Unicamp decretam fim da greve

Grevistas aprovam em assembleia a proposta de encerrar o movimento na próxima segunda-feira (31)

Grevistas aprovam em assembleia a proposta de encerrar o movimento na próxima segunda-feira (31)

 

Em assembleia geral realizada na manhã desta sexta-feira (28), os trabalhadores da Unicamp decidiram encerrar a greve na próxima segunda-feira (31).
Iniciada na sexta-feira passada (21) a greve cobrou o fim das duplas matrículas e dos supersalários e que os custos excedentes com esse pagamento fossem revertidos em isonomia salarial para os técnico-administrativos.
A assembleia aprovou a organização de um calendário permanente de luta e manutenção da mobilização em torno dessa pauta.
Ao longo desses dias foram produzidos diversos atos considerados positivos pela categoria. E para a maioria dos trabalhadores que participou da greve, a mobilização é importante no sentido de denunciar à população o pagamento de vencimentos ilegais dentro da universidade, bem como a necessidade de cumprimento da lei do teto salarial em respeito à decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Neste fim de semana, os trabalhadores farão uma mobilização durante a Universidade de Portas Abertas (UPA) com objetivo de ampliar a campanha de conscientização e somar forças com a sociedade civil para pressionar a reitoria a cortar os supersalários e as duplas matrículas.

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STU quer cumprimento da lei e Unicamp mais transparente

Não é de hoje que o STU vem lutando por uma Unicamp mais transparente. Isso porque o sindicato avalia como importante o cumprimento da lei de Acesso à Informação, em vigor desde 2012. Pois por meio desta legislação é que podemos cumprir com outra luta que também vem sendo mantida pela entidade que é, a do fim dos supersalários, ou seja, aquilo que ultrapassa o teto salarial estabelecido em lei.
Funcionários administrativos que ganham mais que o Governador Geraldo Alckimin, é um exemplo dos escândalos que envolvem essa questão. Não se trata de questionar se os servidores merecem tal quantia ou não, mas o que o STU quer é que o justo seja feito. Se existe uma lei que determina um teto, então, que ela seja aplicada.
Após uma determinação judicial, cobranças do STU e de órgãos de imprensa, a Universidade disponibilizou informações sobre os gastos com salários. Nela consta que mais de 700 servidores recebem acima do teto. Um dos exemplos é de um servidor que recebeu no mês de junho, o salário de R$ 60.349,17 – ou seja, quase o triplo do limite definido por lei. O nome do reitor aparece na lista inscrita em duas matrículas: numa delas recebe salário bruto de R$ 14.938,99. Em outra, o salário é de R$ 35.055,81. Há, ainda, diversos casos em que salários superam os R$ 30 mil e centenas acima dos R$ 20 mil por mês (Com informações do G1).
O STU não vai desistir de tornar de conhecimento de todos tudo que é feito dentro da Unicamp, por isso, é necessária a participação do servidor em cobrar essa transparência.