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porStéphane Powaczuk

Cruesp acata reivindicação de reajuste emergencial, mas limita retroatividade. Índice é de 20,67% em março/2022

Vitória da mobilização e da indignação das categorias. Agora queremos avançar!

Vamos buscar a reposição das perdas de maio/2012 a abril/2019 e a valorização dos níveis iniciais das carreiras

Fórum das Seis indica rodada de assembleias até 11/3

            Cercada de expectativa pelos servidores docentes e técnico-administrativos das universidades estaduais paulistas, num cenário de inflação corrosiva, a negociação entre Conselho de Reitores (Cruesp) e Fórum das Seis, na tarde de 7/3, trouxe avanços. O pedido de reunião entre as partes havia sido feito 40 dias antes, logo após a posse do novo reitor da USP e presidente do Cruesp, professor Carlos Alberto Carlotti Júnior.

            A seguir, veja a proposta apresentada pelos reitores – sintetizada pelo Comunicado Cruesp 1/2022, divulgado no início da noite de 7/3 – e a avaliação do Fórum das Seis:

1) O Cruesp apresenta um índice de 20,67%, referente à inflação de maio/19 a fevereiro/22, medida pelo IPC/FIPE, a partir de março/22, a ser pago em abril/22.

O Fórum das Seis avalia que o percentual acata a reivindicação apresentada, de 20% de reajuste imediato, o que é inegável fruto da pressão e da indignação das categorias organizadas em seus sindicatos, mas não contempla a retroatividade a janeiro/22. O índice é positivo, mas falta a retroatividade a janeiro/2022.

2) O Cruesp dá por encerrada a data-base 2022: O comunicado diz que os reitores se comprometem “a incluir os meses de março/2022 e abril/2022 na discussão do reajuste salarial na data-base de 2023”.

O Fórum das Seis lembra que a Pauta de Reivindicações de 2022 sequer foi discutida pelas categorias. Quando isso ocorrer, ela será formatada e apresentada ao Cruesp. A expectativa das entidades que compõem o Fórum das Seis é que o clima de cordialidade e de abertura ao diálogo, visível na negociação de 7/3, não tenha sido apenas episódico, e que a mesa de negociação esteja aberta ao debate da Pauta 2022.

Em 2020, a data-base foi suspensa por iniciativa do Fórum, devido ao início da pandemia; em 2021, embora existissem recursos, não houve avanço por iniciativa dos reitores, que se basearam na interpretação de que a LC173/2020 impediria as negociações, com o que as assessorias jurídicas das entidades sindicais não concordavam. Após dois anos de ausência de negociações efetivas, o mínimo que se espera é que elas ocorram plenamente em 2022.  

3) O Cruesp não aborda duas questões centrais reivindicadas pelo Fórum das Seis: a discussão de um plano para a recuperação do restante das perdas e um plano para a valorização dos níveis iniciais das carreiras.

Pelas contas do Fórum das Seis, em janeiro/2022 seria necessário um reajuste de 40,61% para devolver aos salários o poder de compra que tinham em maio/2012 (nossa referência). Com a aplicação do índice de 20,67% agora, o Fórum entende que é preciso estabelecer um processo de discussão do restante das perdas.

Da mesma forma, é preciso criar mecanismos para discutir e apresentar propostas para a valorização dos níveis iniciais das carreiras de docentes e de técnico-administrativas/os. Essa reivindicação, que vinha sendo discutida há alguns anos pelas entidades do Fórum das Seis, foi incorporada formalmente à Pauta de Reivindicações em maio/2021. Desde então, vimos solicitando a discussão, elaboração e implementação de uma proposta que valorize os níveis iniciais de ambas as carreiras. O Fórum das Seis já apresentou propostas concretas para as duas carreiras. No caso das/os técnico-administrativas/os, a adição de um mesmo valor (parcela fixa) ao salário base de todos os níveis; e, para os docentes, duas propostas alternativas, uma que fixa a diferença entre os salários em um mesmo percentual (7%) e outra que acrescenta valores diferenciados aos salários base, sendo um valor maior para o nível MS3.1 e o menor para o nível MS5.3.

As duas reivindicações – negociação do restante das perdas históricas e da valorização dos níveis iniciais das carreiras – foram repetidas várias vezes pelos representantes do Fórum na negociação de 7/3 e houve a sinalização, por parte dos reitores, de que o grupo de trabalho criado em 2021, e que não avançou, seria retomado de forma efetiva, com a presença de representantes do Cruesp com poder de negociação. No entanto, estes pontos não aparecem no Comunicado do Cruesp.

O Fórum das Seis reivindica a imediata retomada deste GT, com o compromisso da apresentação de todos os dados relativos às folhas das universidades e com calendário claro para o funcionamento e término dos trabalhos.

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Fórum indica rodada de assembleias até 11/3

            As categorias devem realizar assembleias até sexta-feira, 11/3, para avaliar a proposta do Cruesp, de acordo com os informes acima. Fique atento/a à convocação da sua entidade.

            No dia 14/3, o Fórum reúne-se para compilar o retorno das assembleias. Ficou acordada com o Cruesp a realização de uma nova reunião em breve, para apresentação do retorno das assembleias de base. O Fórum já enviou ofício solicitando que esta reunião ocorra em 16/3.

            O indicativo do Fórum é de paralisação no dia da nova reunião.

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Cruesp não concordou com transmissão online. Sala do Fórum reuniu mais de 700

            O Fórum das Seis havia solicitado ao Cruesp que fizesse a transmissão online da negociação em 7/3, de modo a permitir que todos/as os/as interessados/as pudessem acompanhá-la ao vivo.

Como não houve retorno ao pedido, no início da negociação o coordenador do Fórum e diretor da Adunicamp, Paulo Cesar Centoducatte, cobrou essa resposta. O presidente do Cruesp, professor Carlotti, disse que os reitores não tinham concordância com a transmissão e que o Fórum não havia sido avisado disso por uma falha de comunicação.

Mesmo sem a transmissão online, a sala Zoom criada pelo Fórum e aberta às categorias reuniu cerca de 700 pessoas, das três universidades, que acompanharam os informes que eram passados por representantes das entidades sindicais.

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Fórum quer debater com Cruesp condições seguras para o retorno

Na negociação de 7/3, os representantes do Fórum das Seis cobraram o agendamento de uma reunião específica para discutir com o Cruesp o retorno às atividades presenciais, previsto nas três universidades para março.

O Comunicado Cruesp nº 01/2022

São Paulo, 07 de março de 2022

O Cruesp, em reunião realizada nesta data com o Fórum das Seis, propôs reajustar os salários dos servidores docentes e técnico-administrativos das Universidades Estaduais Paulistas em 20,67%. Esse reajuste, a ser aplicado a partir de 1º de março de 2022, corresponde ao índice de inflação medido pelo IPC-FIPE no período de maio de 2019 a fevereiro de 2022.

Tal proposta, ao mesmo tempo em que recupera o poder de compra dos salários, respeita o orçamento discutido e aprovado em Conselhos Universitários das três Universidades Estaduais Paulistas para 2022. Importante ressaltar que USP e Unicamp apresentarão o índice de reajuste proposto pelo Cruesp a seus respectivos Conselhos Universitários, para homologação, ainda neste mês de março.

Com o índice concedido e a excepcionalidade da antecipação da data-base de maio para março de 2022, o Cruesp, mais uma vez, reafirma o propósito de preservar o poder aquisitivo dos salários e, ao mesmo tempo, manter o indispensável equilíbrio orçamentário e financeiro das Universidades. O Conselho se compromete a incluir os meses de março/2022 e abril/2022 na discussão do reajuste salarial na data-base de maio de 2023.

Carlos Gilberto Carlotti Junior
Reitor da USP e presidente do Cruesp

porStéphane Powaczuk

DESCASO E DESRESPEITO… ATÉ QUANDO?

O que poderia significar um avanço importante nas negociações, após um ano em que quase nada foi discutido entre as partes, revelou-se frustrante.

 A frase acima é um brevíssimo resumo do que foi a reunião entre as equipes técnicas do Conselho de Reitores (Cruesp) e do Fórum das Seis (F6), em 12/1/2022.

Embora acordado entre F6 e Cruesp na reunião de 22/12/2021, e reforçado pelo Fórum por meio de ofício (nº 1, de 5/1/2022), a comissão técnica do Cruesp compareceu à reunião de 12/1 sem nenhum estudo sobre a reivindicação de 20% de recuperação de parte das nossas perdas a partir de janeiro 2022 e em relação à proposta de valorização dos níveis iniciais das carreiras.

As mudanças nas três reitorias – após a chegada dos reitores Pasqual Barretti e Tom Zé, respectivamente na Unesp e na Unicamp, é a vez da USP trocar seu dirigente, com a posse do eleito Carlos Gilberto Carlotti Junior em 25/1 – ainda não se traduziram em novos ares para as negociações, marcadas pela intransigência e pelo desrespeito nos últimos anos. Para que isso aconteça, como já sinalizado pelo F6 em seus boletins, será preciso uma forte mobilização das categorias. É preciso que fique claro que, se o Cruesp continuar com esta postura, sem negociações urgentes e efetivas, capazes de mitigar a insuportável corrosão salarial causada pela inflação galopante, a nós, servidores/as docentes e técnico-administrativos/as da Unesp, Unicamp e USP, só restará decidir pelo não início do próximo semestre.

            Feito esse resumo, vamos agora aos detalhes da reunião técnica. Os dados são relevantes para a compreensão do cenário.

Ausência de simulações frustrou debate amplo

Falando em nome da equipe técnica do Cruesp, o professor Luiz Gustavo Nussio, da USP, informou que estavam presentes representantes dos setores de finanças e de recursos humanos das três universidades, e que a demanda passada a eles pelos reitores foi a de discutir com o Fórum “critérios objetivos para reajuste salarial”. Nussio indagou aos membros do Fórum se era essa a expectativa dos sindicatos em relação à reunião.

Em nome das entidades sindicais, o coordenador do Fórum das Seis e membro da diretoria da Adunicamp, Paulo César Centoducatte, respondeu que não. O combinado com os reitores, na realidade, era que os técnicos trouxessem à reunião uma simulação de um reajuste de 20% em janeiro, conforme solicitado pelo Fórum das Seis ao atualizar a Pauta de Reivindicações de 2021 (veja detalhes abaixo, no intertítulo ‘Com folga na arrecadação, inflação e arrocho nas alturas, por que esperar?’), e das propostas de valorização dos níveis iniciais de ambas as carreiras.

O coordenador do Fórum também enfatizou que a expectativa das categorias, neste momento, é debater a data-base de 2021, com a reivindicação dos 20%. “A pauta de 2022 ainda não foi construída pelas assembleias de base e somente depois disso é que teremos definidas as reivindicações deste ano”, pontuou.

Os técnicos limitaram-se a relatar o que havia sido aprovado em cada universidade para o orçamento de 2022, tendo como ponto comum a previsão de valores básicos para subsidiar as negociações salariais entre Fórum das Seis e Cruesp neste ano, contratações, permanência estudantil e outros.

Arrecadação do ICMS e impacto das reivindicações

Deixando claro que não tem acesso a todos os dados das folhas de pagamento das universidades, a coordenação do Fórum apresentou uma simulação básica dos impactos da concessão de 20% ainda em janeiro. Para isso, considerou a previsão de arrecadação do ICMS-Quota-Parte do Estado para 2022, de R$ 142,87 bilhões, valor utilizado pelas universidades para a confecção dos orçamentos deste ano.

Ressalte-se que esta é uma perspectiva rebaixada da arrecadação, pois o governo do estado aplicou a correção de 7,26% (conforme consta na Lei Orçamentária Anual, LOA 2022) sobre uma previsão de arrecadação total em 2021 de R$ 132,4 bi, e não sobre os valores efetivamente realizados no ano passado (R$ 138,3 bi). O Fórum também apresentou uma simulação considerando o crescimento do ICMS previsto pelo governo do estado (de 7,26%) aplicado à arrecadação efetiva de 2021. Com esta previsão, teremos uma arrecadação de R$ 148,34 bi em 2022.

Ambas as simulações apontam para patamares de comprometimento que mostram a total viabilidade de uma correção salarial de 20% a partir de janeiro. Cabe ainda ressaltar que, com a escalada inflacionária que estamos vivendo, a arrecadação do ICMS-QPE deverá, com certeza, superar os R$ 148,34 bi.

Veja a simulação, feita pelo F6, de qual seria o comprometimento de cada universidade com folha de pagamento, caso seja aplicado o reajuste de 20% em janeiro/2022:

1) Arrecadação do ICMS-QPE de R$ 142,873 (usado nos orçamentos das universidades)

Unesp: 75,94 %

Unicamp: 80,7%

USP: 77,56%

2) R$ 148,34 (usando a arrecadação de 2021 e o crescimento previsto na LOA 2022)

Unesp: 73,16%

Unicamp: 77,95%

USP: 74,70%

Segundo dados da Planilha Cruesp de dezembro/2021, o comprometimento dos recursos do ICMS-QPE repassados às universidades com salários foi o menor desde o advento da autonomia, em 1989. Veja:

Unesp: 65,18%

Unicamp: 69,25%

USP: 66,57%

Os técnicos do Cruesp não rejeitaram a simulação feita pelo Fórum, mas apontaram para a necessidade de inserir o impacto das contratações previstas em cada universidade para este ano. Como se trata de ano eleitoral, é bastante provável que ocorra apenas parte das contratações previstas. O assessor técnico da Unesp, Rogério Buccelli, arriscou uma previsão de que um terço das contratações definidas para 2022 se concretize; com isso, ele estima um comprometimento em torno de 83% da arrecadação da Unesp com folha de pagamento, caso os 20% sejam aplicados. Detalhe: para essa previsão, Buccelli considera a previsão de arrecadação de R$ 142,873 bi e a aplicação do reajuste não em janeiro, mas em maio/2022 (!).

Com folga na arrecadação, inflação e arrocho nas alturas, por que esperar?

            A inflação segue em disparada nos últimos meses. O INPC, medido pelo IBGE de janeiro a dezembro de 2021, ficou em 10,16%.

Quando a Pauta Unificada 2021 foi protocolada, em 6/4/2021, o índice necessário para recompor os salários aos níveis de maio/2012 era de 29,81%. A inflação de maio a dezembro de 2021 foi de 7,63%. Desta forma, em dezembro/2021 esse índice chegou a 39,72%.

            Após o protocolo, foram realizadas somente duas reuniões entre as partes, nas quais a LC 173/2020 foi utilizada pelas reitorias para justificar a impossibilidade de mexer nos salários até dezembro/2021. Sequer o compromisso do Cruesp, de realizar reuniões do grupo de trabalho (GT), criado para discutir um plano de reposição das perdas, foi implementado.

Se nada for feito agora, supondo uma inflação em torno de 4% no primeiro quadrimestre de 2022, chegaremos a maio/2022 precisando de cerca de 45% de reajuste para recuperar o valor que os salários tinham em maio/2012.

Foi este cenário, somado à postura do Cruesp em não negociar a essência da nossa data-base (recuperação salarial, valorização dos níveis iniciais das carreiras e discussão do retorno seguro), que levou o Fórum a atualizar a Pauta de Reivindicações 2021, com os seguintes pontos:

  1. Reajuste, a partir de janeiro 2022, de 20% para recuperação parcial da perda acumulada desde maio/2012;
  2. Negociação de um plano de reposição para zerar as perdas restantes, relativas ao período de maio/2012 a abril/2022, com a perspectiva de concluir a discussão deste plano ainda na data-base de 2022; e da valorização dos níveis iniciais das carreiras, com base nas propostas do Fórum das Seis.

O que ficou acordado: Simulações e nova reunião com o Cruesp

Após insistência dos representantes do Fórum das Seis na reunião de 12/1/2022, a equipe técnica do Cruesp comprometeu-se a:

– Realizar, com celeridade, a simulação do impacto do reajuste de 20% em janeiro/2022 em cada universidade, apresentando-a ao Cruesp e ao Fórum das Seis;

– Encaminhar as folhas salariais atualizadas e desmembradas ao Fórum das Seis, para viabilizar outras simulações que as entidades sindicais desejem fazer;

– Indicar ao novo reitor da USP e futuro presidente do Cruesp a necessidade de reunião com o Fórum das Seis ainda em janeiro/2022; e que os assessores técnicos das reitorias estejam presentes.

Tempos congelados e situação pandêmica

O Fórum das Seis enviou novo ofício ao Cruesp (em 13/1/2022), lembrando que, além da discussão salarial, é preciso que a próxima reunião entre as partes trate de:

– A posição das instituições sobre os tempos aquisitivos dos servidores no período de vigência da LC 173/2020 e que impactam direitos relativos a quinquênios, sexta-parte, licença-prêmio, progressões e outros.

– O debate democrático sobre o retorno às atividades presenciais nas instituições, especialmente no momento em que o número de contaminações cresce exponencialmente por conta da variante Ômicron.

Chega de arrocho! Sem negociações efetivas, não devemos iniciar o semestre

            Na avaliação realizada logo após a reunião com os técnicos do Cruesp, os/as representantes das entidades do Fórum das Seis foram unânimes em apontar a necessidade de mobilização e luta para pressionar os reitores a cessarem com a postura de desrespeito às categorias e a negociarem concretamente.

            Conforme já sinalizado nas assembleias de base realizadas em novembro, as categorias devem se preparar para a mobilização – presencial e/ou virtual, de acordo com o cenário pandêmico –, tendo como perspectiva não iniciarmos o semestre letivo sem uma efetiva negociação entre as partes.
Confira aqui o pdf do Boletim do Fórum das 6.

Confira aqui o ofício do Fórum das 6 para o CRUESP.